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Submarino nuclear brasileiro pode parar em 2026 sem aporte extra de R$ 1 bilhão, diz mídia

O risco de paralisação do Prosub em 2026, caso a Marinha não receba um aporte extra de R$ 1 bilhão, ameaça atrasar novamente o cronograma do primeiro submarino nuclear brasileiro e comprometer equipes e obras essenciais em Itaguaí e no Labgene, mesmo após repasses antecipados e contratos internacionais já firmados.
Sputnik
O programa brasileiro para construir o primeiro submarino de propulsão nuclear corre risco de desaceleração já em 2026 caso não receba um reforço de cerca de R$ 1 bilhão, valor que a Marinha considera indispensável para manter o ritmo atual do Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub).

De acordo com o Poder 360, sem esse aporte, áreas críticas podem ser paralisadas, atrasando ainda mais a entrega prevista para 2037 e ameaçando equipes altamente especializadas que atuam no Complexo Naval de Itaguaí e no Labgene, responsável pelo desenvolvimento do reator nuclear.

A pressão por recursos ocorre num momento em que a defesa voltou ao centro do debate político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que o país precisa reforçar sua capacidade militar, e o ambiente regional mais instável após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA aumentou a percepção de urgência dentro do governo.
Nesse cenário, as Forças Armadas apresentaram um plano de investimentos de R$ 800 bilhões em 15 anos, no qual o submarino nuclear é tratado como peça-chave da estratégia de negação de uso do mar.
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O Prosub já entregou quatro submarinos convencionais, mas o salto para um modelo nuclear ampliaria de forma significativa a capacidade operacional da Marinha, permitindo longas missões submersas, maior velocidade e autonomia praticamente ilimitada.
A embarcação também poderá produzir oxigênio e água potável, reduzindo a necessidade de emergir e reforçando a vigilância em áreas estratégicas do litoral.
Em dezembro de 2025, o programa recebeu R$ 1 bilhão antecipado de um crédito suplementar previsto na Lei Complementar 221, parte de um pacote de R$ 30 bilhões aprovado fora do arcabouço fiscal. O repasse evitou o cancelamento de contratos com o Naval Group, parceiro francês na transferência de tecnologia.
Embora a Marinha tenha ficado com a maior fatia da primeira parcela desse pacote, parte dos recursos já foi consumida, restando cerca de R$ 890 milhões para 2026.

A limitação orçamentária pode obrigar a Marinha a priorizar o Labgene, em Iperó (SP), onde é testado o protótipo do reator nuclear. O laboratório é considerado o núcleo tecnológico do projeto, seguindo o modelo adotado por todos os países que dominam a propulsão nuclear naval. Mas, de acordo com a apuração, essa escolha pode comprometer obras essenciais em Itaguaí, como o dique seco especial necessário para o carregamento do combustível nuclear.

Uma eventual interrupção das obras em Itaguaí geraria prejuízos em cascata. Executadas pela Novonor, as construções exigiriam desmobilização de canteiros, desmontagem de estruturas e devolução de máquinas pesadas, custos que teriam de ser arcados pela Marinha. Uma retomada futura implicaria pagar novamente pela montagem de toda a infraestrutura.
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O crédito suplementar antecipado também foi crucial para honrar pagamentos internacionais que, se atrasados, exigiriam renegociações caras. Em 2025, a Marinha firmou dois grandes contratos com o Naval Group, somando mais de € 528 milhões (mais de R$ 3,17 bilhões), além de um convênio de quase R$ 50 milhões com a Fundação Pátria para suporte técnico na fabricação de componentes do reator.
O cronograma ainda depende da compra de materiais estratégicos, como chapas de aço especial que levam cerca de 20 meses para serem entregues.
Além dos riscos materiais, preocupa a possível perda de mão de obra altamente qualificada. De acordo com a matéria, engenheiros e físicos nucleares envolvidos no projeto podem migrar para o setor offshore caso haja atrasos de pagamento, e a recomposição desse capital humano levaria anos.

Por isso, a Marinha considera o aporte de R$ 1 bilhão como o mínimo para evitar danos imediatos, embora estime que o nível ideal de investimento anual esteja entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

A discussão sobre financiamento reacendeu dentro da própria Marinha o debate sobre a governança do Prosub. Oficiais defendem que o programa passe a envolver outros ministérios, como Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio, reduzindo a dependência exclusiva do orçamento da Defesa.
Para eles, esse arranjo refletiria melhor o caráter estratégico do submarino nuclear, que envolve não apenas segurança, mas também desenvolvimento tecnológico e domínio do ciclo do combustível nuclear — um esforço iniciado ainda nos anos 1970 e ampliado com a parceria com a França a partir de 2008.
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