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Recurso negado por Moraes reacende debate sobre vínculos entre Master e Judiciário, diz mídia

Moraes negou um recurso de Vladimir Timerman enquanto o investidor enfrentava ações movidas por Daniel Vorcaro, cujo banco mantinha contrato milionário com o escritório da família do ministro. A decisão, depois confirmada pela Primeira Turma, manteve ativa a ação penal apresentada por Nelson Tanure.
Sputnik
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou em maio de 2025 um recurso apresentado por Vladimir Timerman, investidor da Esh Capital e desafeto do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão ocorreu no mesmo período em que Vorcaro também processava Timerman, representado pelo escritório Barci de Moraes — pertencente à mulher do ministro, Viviane Barci, e seus filhos — que mantinha contrato milionário com o Banco Master.

Embora não configurasse impedimento formal, a simultaneidade entre os processos ilustra como as redes de influência de Vorcaro, dono do Master, se cruzavam com o Judiciário. Naquele momento, o escritório de Viviane atuava em uma queixa-crime movida por Vorcaro contra Timerman no Tribunal de Justiça de São Paulo, alegando calúnia e difamação.

De acordo com a Folha de S.Paulo, na ação paulista, a defesa de Vorcaro tentou descredibilizar Timerman listando processos em que ele figurava como réu, incluindo uma ação movida por Nelson Tanure — empresário investigado como possível sócio oculto de Vorcaro. Ao negar o trancamento desse processo no STF, Moraes manteve válido um dos argumentos usados por Viviane para sustentar a tese de perseguição.
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No recurso analisado pelo ministro, Timerman pedia o encerramento da ação penal em que era acusado de perseguir Tanure nas redes sociais. Segundo a apuração, Moraes rejeitou o pedido, afirmando não haver ilegalidades e que o investidor teria amplo direito de defesa. O entendimento seguiu decisões anteriores do TJ-SP e do STJ.
A Primeira Turma do STF confirmou por unanimidade a decisão de Moraes, com votos de Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux. À época, o contrato do escritório Barci de Moraes com o Master seguia ativo, e ainda não haviam sido reveladas as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do banco ao BRB nem as conexões de Vorcaro com figuras políticas e jurídicas.

Enquanto isso, o processo movido por Tanure resultou na condenação de Timerman a um ano, dez meses e 15 dias de prisão, sentença que ele contesta. Já a queixa-crime apresentada por Vorcaro foi rejeitada por falta de justa causa pela juíza Maria Tojeira, em setembro de 2025.

Em nota, o STF afirmou à Folha que não havia qualquer hipótese de impedimento ou suspeição, já que o caso não tinha relação com o escritório da família de Moraes. O ministro, porém, enfrenta desgaste adicional após vir à tona a suspeita de troca de mensagens com Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.
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