"O BRICS tem se tornado uma plataforma cada vez mais importante para difundir o multilateralismo e acredito que já seja um dos pontos norteadores da política externa brasileira, porque ali é um ambiente onde é possível dialogar de certa forma de igual para igual e discutir projetos de cooperação em comum, além de financiamentos", disse.
Pilares da Política Altiva e Ativa do Lula 1 e 2
"Nos governos Lula 1 e 2, houve o reforço do multilateralismo e aprofundamento das relações diplomáticas com os países da região. Com isso, o Mercosul ganhou vitalidade e, nesse contexto, foi criada até a Unasul, algo muito mais expandido, dando voz para a América Latina no mundo. Nessa época, o Brasil também assumiu o papel de liderança dos países em desenvolvimento em grandes fóruns globais", explica.
Mecanismos da política externa brasileira são outros
"No atual Lula 3, a política externa segue como altiva e ativa, porém mais cautelosa, pois a conjuntura atual é muito diferente do que foi nos anos 2000. Temos muitos conflitos importantes ocorrendo, por exemplo. No entanto, o Itamaraty mantém a equidistância pragmática que vem desde a era Vargas, e os mecanismos estratégicos para conseguir os objetivos são outros", pontua.
"O Brasil tenta recalcular a sua rota devido a um realismo político que tem dominado o sistema internacional, mais imprevisível, com grandes lideranças globais dispostas à guerra. A América Latina, por exemplo, está na política externa norte-americana como sua zona de influência, e qualquer movimento mais brusco de afastamento pode significar, de certo modo, um risco estratégico ao nosso país", destaca.
Brasil e o protagonismo no campo simbólico
"Eu ainda acho difícil o Brasil conseguir o assento. No entanto, isso já mostra a altivez do país em disputar esse lugar, e ele ainda conta com apoio importante da Rússia. Temos que compreender que a política internacional não é feita apenas de luta, do hard power. Na verdade, é feita mais de simbologia, visando a mensagem que se passa para os outros países", enfatiza.
"O Brasil ainda vai a fóruns globais e defende essas organizações internacionais. O país tem desempenhado seu papel histórico de pregar a não interferência em assuntos internos, o fortalecimento da cooperação entre países, mas ao mesmo tempo busca parcerias estratégicas e pragmáticas com a China, a Rússia e os EUA", conclui.