"A gente faz esse trabalho de reencenação como forma de reviver um momento histórico, que no nosso caso é a Segunda Guerra Mundial. A gente faz eventos em que passamos o dia como um soldado da época e podemos conversar e reviver aquele momento. A reencenação em si é um pouco daquele ditado: você só sabe o que uma pessoa passou calçando seus sapatos", disse.
"Na exposição no Forte de Copacabana, nós somos curadores e levamos alguns itens originais além das réplicas dos nossos uniformes. Também há alguns cenários, como o acampamento de um pracinha e um diorama que simula o escritório de um correspondente de guerra. Estamos recebendo visitas até de estrangeiros", comenta.
"Acho que a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial não teve seu devido valor ao longo dos anos no país. Contudo, vejo um movimento de mudança, e as coisas vêm mudando para melhor. Atualmente, há muitas produções acadêmicas de qualidade que ajudam a trazer à tona os fatos da presença brasileira, que foi bastante efetiva", opina.
Memórias do front em Montese
"Guerras urbanas nós vimos em Leningrado e Stalingrado. Já na Itália, ainda não tinha ocorrido. Foi um combate urbano sob forte artilharia, combate casa a casa e entre as fortificações medievais da cidade. Foi uma batalha duríssima em Montese contra os alemães, que foram superados pelos brasileiros", discorre.
"Após a queda de Montese, cria-se uma desordem na linha de defesa alemã, que entra em colapso, pois aquela região era o último reduto ainda estável da Alemanha. A partir disso, houve uma intensificação na perseguição aos alemães até a libertação completa da Itália", pontua.
Relíquias que contam histórias
"Eu tenho o capacete M1 usado na guerra e um cantil usado por um pracinha brasileiro que desenhou com a sua faca o personagem Zé Carioca. Então, a gente vê que havia um apreço pessoal por aquele objeto. No Verde Oliva, gostamos de estudar a vivência e o que era usado pelos soldados. Isso é marcante em itens pessoais", revela.
"O tenente Iporan foi o primeiro brasileiro a tomar a torre de Montese, que existe até hoje na cidade. No período, ela era utilizada pelos alemães como posto de observação e artilharia. Quando ele chegou à torre, conseguiu render e prender dois inimigos", relembra.