O movimento ocorre em um contexto de alta nos preços do barril de petróleo no mercado internacional, diretamente afetado pelas tensões na região, que ultrapassaram US$ 100 (cerca de R$ 501). Com isso, países exportadores de energia, como o Brasil, tendem a se beneficiar no curto prazo, mesmo diante de um ambiente global mais adverso.
Apesar da revisão positiva, o crescimento brasileiro ainda permanece abaixo do esperado pelo Ministério da Fazenda, que projeta 2,3%, e próximo das estimativas do mercado financeiro, em torno de 1,85%.
A entidade destaca ainda que o país deve enfrentar o período apoiado por reservas internacionais adequadas, menor exposição à dívida externa em moeda estrangeira e câmbio flexível. Ainda assim, o desempenho segue inferior ao de outros emergentes, que devem crescer acima de 3%.
Mundo desacelera com guerra e energia fica mais cara
No cenário internacional, o quadro é inverso, e o FMI reduziu a projeção de crescimento global para 3,1%, refletindo os efeitos da guerra sobre o fornecimento de energia e o aumento da incerteza.
A revisão, de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro, considera um cenário ainda moderado, com conflito de curta duração. No entanto, a instituição alerta que a tendência já aponta para um agravamento. Porém, segundo o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, o mundo se aproxima de um cenário mais adverso.
Caso o conflito se prolongue e o petróleo se estabilize próximo de US$ 100 por barril, o crescimento global pode cair para 2,5% em 2026.
Petróleo no centro do risco global
O FMI aponta que o avanço dos preços do petróleo tende a reacender pressões inflacionárias, forçando bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo. Esse cenário aumenta o risco de desaceleração mais intensa ou até a recessão em economias desenvolvidas, além de pressionar países dependentes de importação de energia.
Entre as principais economias, as revisões também foram negativas. Os Estados Unidos devem crescer 2,3%, a zona do euro, 1,1%, e a China, 4,4% — todas com cortes em relação às projeções anteriores.