Panorama internacional

UE acelera ofensiva regulatória após alerta de segurança envolvendo tecnologia chinesa, diz mídia

A revelação de que ônibus chineses testados na Noruega podiam ser acessados e até desativados remotamente desencadeou uma onda de alerta na Europa. O episódio expôs vulnerabilidades tecnológicas, levou a novas restrições da UE e intensificou a pressão sobre empresas presas entre regras conflitantes dos dois lados.
Sputnik
O experimento realizado pela Ruter em uma mina abandonada na Noruega, ao testar ônibus elétricos da chinesa Yutong, revelou que os veículos podiam ser desativados remotamente e acessados pelo fornecedor mesmo em ambiente isolado. A descoberta acendeu alerta em governos europeus sobre vulnerabilidades tecnológicas.
Segundo o South China Morning Post, os resultados ajudaram a impulsionar um ambiente regulatório mais agressivo na União Europeia (UE), aprofundando a chamada "rivalidade sistêmica" com a China. Surgiu, assim, um ciclo de georregulação acelerada, no qual cada lado cria normas para se proteger das regras do outro.

Empresas europeias afirmam que estão sendo arrastadas para disputas políticas que extrapolam suas atividades, enquanto governos veem riscos crescentes nas cadeias de suprimentos. Para Bruxelas, o acesso remoto permitido por fabricantes chineses ganha outra dimensão diante das leis chinesas que obrigam empresas a colaborar com o Estado.

A UE reagiu suspendendo o financiamento a inversores fabricados na China, temendo que equipamentos usados em infraestrutura crítica possam ser hackeados. As preocupações também alimentam a nova política industrial europeia, que tenta atrair fabricantes chineses para produzir sob padrões locais.
Pequim respondeu com irritação, prometendo retaliar empresas europeias. Especialistas alertaram à mídia asiática que o uso crescente de tecnologia chinesa permite à China mapear sistemas energéticos europeus, aumentando o potencial de pressão geopolítica.
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O choque provocado pelo experimento norueguês levou governos, como o da Alemanha, a defender que componentes-chave sejam fabricados na Europa para escapar da legislação chinesa. O episódio tornou-se símbolo de um novo campo de batalha regulatório.
A disputa já chegou aos tribunais: a chinesa Nuctech processou a Comissão Europeia, alegando que a UE exige documentos proibidos pela lei chinesa. Ao mesmo tempo, empresas europeias na China temem novas leis que podem criminalizar auditorias exigidas por Bruxelas.
Regulamentos chineses contra "jurisdição extraterritorial indevida" também podem impedir empresas estrangeiras de cumprir normas europeias, criando um impasse jurídico. Think tanks alertam que companhias podem ficar presas entre exigências conflitantes de cada lado.
Há ainda receios de que controles chineses sobre terras raras estejam sendo usados para extrair informações sensíveis de empresas estrangeiras. Relatórios europeus afirmam que a China consegue mapear dependências críticas e, se necessário, aplicar pressão de forma cirúrgica.
Enquanto isso, a UE avança com leis para reduzir riscos de dependência da China, como a Lei de Aceleradores Industriais (IAA, na sigla em inglês) e a atualização da versão atualizada da Lei de Segurança Cibernética da União Europeia (CSA2, na sigla em inglês), que já receberam duras críticas de Pequim. Para analistas consultados pela apuração, ambos os lados caminham para regulações cada vez mais rígidas, deixando empresas presas em um labirinto de regras conflitantes.
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