2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI

Conheça a igreja ortodoxa em Moscou erguida com itens bélicos da 2ª Guerra Mundial (FOTOS E VÍDEOS)

A Catedral das Forças Armadas da Rússia possui imensos mosaicos que representam vários episódios importantes da história militar russa, como o período da Grande Guerra pela Pátria, no qual os soviéticos derrotaram as forças nazifascistas lideradas pela Alemanha.
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O templo simboliza também um elo com o passado e a comunhão entre a fé e o patriotismo. A arquitetura dele teve o seu chão projetado a partir de tanques usados pelas tropas alemãs nazistas, e os candelabros foram forjados com munições usadas pelos soviéticos.
Isso é justificado pelo simbolismo por trás da construção, conforme explica Rodrigo Ianhez, historiador e especialista em União Soviética, em entrevista à Sputnik Brasil para o oitavo capítulo da série "Segunda Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI", em celebração aos 81 anos da grande vitória, comemorada neste sábado (9).

"O piso e a escadaria da igreja foram feitos com tanques originais alemães capturados como troféu de guerra. Quem visita a igreja estará pisando sobre os nazistas, tal como a cavalaria soviética pisoteou os estandartes nazistas durante a Parada da Vitória. Já as luminárias foram feitas com projéteis de artilharia dos soviéticos, o que simboliza algo que trouxe luz", disse.

Outros significados podem ser contemplados no santuário, como as adaptações que mesclam imagens sacras com soldados e armas que ilustram os painéis localizados em seu interior. O que reforça, segundo o pesquisador, o tom de militarismo e de defesa da pátria.

"Como é uma igreja com temática militar, as pessoas que visitam esse templo vão observar uma série de painéis retratando não apenas soldados, mas também santos intervindo em batalhas, principalmente na Segunda Guerra Mundial. Há também referência a outros conflitos da Rússia, como o período da invasão napoleônica", comenta.

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Os fiéis e visitantes, além de admirarem as obras de tom religioso, também fazem uma imersão em diversos períodos históricos da Rússia, nos quais o povo e suas forças sempre protegeram o território de invasões estrangeiras, desde a época do Império Russo. O especialista aponta que esse tipo de capela não é algo incomum no país.

"Isso não é uma novidade na Igreja Ortodoxa. Há outras com temática militar, por exemplo, igrejas que homenageiam a vitória contra Napoleão [em 1812] e a Marinha russa", pontua.

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Catedral está situada em um local simbólico

Para a edificação da basílica, a área escolhida também é repleta de simbolismo, pois nesse caminho houve inúmeras invasões estrangeiras contra a Rússia que posteriormente foram derrotadas, como destaca Ianhez, que também é especializado em turismo soviético por meio de sua agência Estrela Vermelha.

"A igreja fica em uma região da Estrada de Minsk, capital da Belarus, que está a oeste de Moscou e é uma continuação da avenida Kutuzov, que leva o nome do general responsável pela vitória contra Napoleão. Dessa direção vieram as principais invasões contra a Rússia, e houve muitos conflitos. Na localidade há muitos monumentos e atividades ligadas à história militar", discorre.

Apesar de todo o teor que remete à história de outros séculos, a Catedral das Forças Armadas não foi erguida logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. A igreja, localizada no Parque Patriota, no distrito de Odintsovo, na região de Moscou, foi aberta ao público em 2020, e sua obra foi concluída em 9 de maio de 2020, quando se comemorava o 75º aniversário da grande vitória contra os nazistas.
Além disso, o espaço também abriga um complexo que conta com museu e outros cenários que fazem alusão às batalhas ocorridas ao longo da Grande Guerra pela Pátria na União Soviética, como detalha o estudioso.

"No entorno da igreja também há uma maquete real de um tanque alemão e peças de artilharia antiaérea que representam parte de uma trincheira e de uma vila russa que foi ocupada pelos alemães, como outras vilas do oeste de Moscou. Além disso, há um museu imenso, com uma estrutura impressionante, contando toda a história da guerra com elementos do dia a dia", observa.

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A fé durante a Grande Guerra pela Pátria

A relação entre o Alto Comando Soviético e as religiões sempre foi conflituosa, como elucida Ianhez, que contextualiza que, ao longo do curso da luta contra as forças de Hitler, a religião teve papel importante de união contra o inimigo externo. Além disso, outros ícones de cunho patriótico, inclusive da época da monarquia, foram ressignificados nesse período, como a fita de São Jorge.

"O resgate de sentimentos nacionalistas fez com que Stalin percebesse um elemento de unificação: a religião. Tanto que recebeu autoridades religiosas no Kremlin. Além disso, houve a ressignificação de figuras do período monárquico, como Aleksandr Nevsky, que por sinal é um santo na Igreja Ortodoxa, e itens como a fita de São Jorge [utilizada também na época do Império Russo]", conclui.

A memória da Grande Guerra pela Pátria e da soberania defendida pelo povo soviético evoca o eterno simbolismo da luta contra invasores. Além disso, o cenário complexo da época demonstra que uma nação consciente e decidida a erradicar o extremismo das nações coligadas ao Eixo nazifascista, aliada às Forças Armadas com o mesmo propósito, é o que verdadeiramente pode garantir a salvaguarda da pátria.
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