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Nigéria no BRICS: país que pode entrar no top 10 global busca espaço na nova ordem multipolar
Nigéria no BRICS: país que pode entrar no top 10 global busca espaço na nova ordem multipolar
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Em declaração recente, o ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yousef Tugga, anunciou a intenção do país em se tornar um membro pleno do BRICS nos... 19.01.2026, Sputnik Brasil
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"É uma questão de tempo". Assim, o pesquisador do Núcleo de Estudos dos Países BRICS (NuBRICS), da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Goulart, prevê à Sputnik Brasil a adesão da Nigéria ao BRICS.Desde janeiro de 2025, a Nigéria é um dos oito países-parceiros do grupo, que já conta como membros plenos outras três nações do continente: África do Sul, Egito e Etiópia. Com mais de 230 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso do continente e o sexto do mundo, com expectativa de chegar a 377 milhões até 2050, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, é o maior produtor de petróleo da África, com uma média superior a 1,5 milhão de barris por dia, e possui um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 477 bilhões (R$ 2,5 trilhões), o maior da região.Riscos de perseguição dos EUA?Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou, sem apresentar provas, o atual governo nigeriano de permitir a perseguição de cristão no país, Isso ocorre em uma nação com grande diversidade religiosa, onde 51% da população é muçulmana, 43% cristã e 6% ligada a práticas locais. Para o pesquisador, o discurso indica que Washington já conhece um dos pontos capazes de desestabilizar o país, que, segundo ele, vive atualmente "um pacto social que razoavelmente tranquiliza" a situação interna. Mas, caso a adesão ao BRICS seja anunciada, a Nigéria pode se tornar alvo de ações norte-americanas mais concretas?Para o especialista, em um primeiro momento, não. Isso porque a Nigéria ainda não é uma prioridade dos Estados Unidos para uma eventual intervenção. "O país não está em nenhum dos corredores logísticos que eles estão disputando. Além disso, Washington está, neste momento, muito focado no Irã, por conta do estreito de Ormuz, e também na Venezuela, onde tenta promover uma transição de governo sem gerar uma guerra civil", afirmou.Reforço no BRICS e desdolarizaçãoPara Goulart, o peso energético da Nigéria pode ampliar a capacidade do BRICS de influenciar mercados globais e fortalecer iniciativas de redução da dependência do dólar nas transações internacionais. Como exemplo, o especialista cita o comércio energético entre Brasil e Nigéria.Na avaliação do pesquisador, esse movimento segue uma tendência que já vem sendo construída por economias do Sul Global. "Depender menos das reservas em dólar e aumentar o comércio por meio de uma cesta de moedas nacionais é algo visto com muito bons olhos.”Goulart avalia que a desdolarização não é apenas uma estratégia política, mas uma resposta econômica às assimetrias do sistema financeiro internacional. Segundo ele, os Estados Unidos tentam frear esse processo. "Eles conseguem atrasar, mas acabar com esse caminho eu acho muito difícil", acrescenta.Nigéria será uma das 10 maiores economiasJá o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nieass/UFRJ), Éden Pereira, lembrou à Sputnik Brasil que estudos indicam que a Nigéria deve se tornar uma das dez maiores economias do mundo até 2050.Diante disso, o especialista considera extremamente relevante para o BRICS contar com a Nigéria como membro pleno. "Não apenas pelo que o país pode oferecer, mas também pelo que o BRICS pode oferecer à própria Nigéria.""Diante de um cenário marcado pela presença constante de potências imperialistas externas e por debilidades sociais e econômicas decorrentes de um modelo de desenvolvimento dependente, a Nigéria precisa de parcerias capazes de abrir caminhos para superar essa condição", defende.Por fim, o pesquisador ressalta que a nação africana passou por uma série de instabilidades políticas nas últimas décadas, inclusive com tensões entre grupos insurgentes terroristas e o governo. Mesmo assim, a Nigéria tem "conquistado paulatinamente" suas ambições e buscado resolver problemas internos.
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Nigéria no BRICS: país que pode entrar no top 10 global busca espaço na nova ordem multipolar
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Em declaração recente, o ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yousef Tugga, anunciou a intenção do país em se tornar um membro pleno do BRICS nos próximos anos. Com mais de 230 milhões de habitantes e maior PIB do continente, a nação africana tem buscado dinamizar a economia e aumentar a participação na nova ordem multilateral.
"É uma questão de tempo". Assim, o pesquisador do Núcleo de Estudos dos Países BRICS (NuBRICS), da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Goulart, prevê à Sputnik Brasil a adesão da Nigéria ao BRICS.
Desde janeiro de 2025, a Nigéria é um dos oito países-parceiros do grupo, que já conta como membros plenos outras três nações do continente: África do Sul, Egito e Etiópia.
"Caso isso se concretize, o BRICS terá as três maiores economias da África e, com isso, fortalece a voz africana nessa cooperação Sul-Sul."
Com mais de 230 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso do continente e o sexto do mundo, com expectativa de
chegar a 377 milhões até 2050, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, é o maior produtor de petróleo da África, com uma média superior a 1,5 milhão de barris por dia, e possui um
Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 477 bilhões (R$ 2,5 trilhões), o maior da região.
"Abuja tem buscado uma maior cooperação Sul-Sul, na perspectiva de transformar sua riqueza em algo positivo e também se tornar uma voz relevante. Isso é diferente de quando dialoga com as potências ocidentais, do Norte Global", destaca o especialista, ao pontuar que a África busca cada vez mais parceiros globais, e não países que veem o continente como "dependente".
Riscos de perseguição dos EUA?
Recentemente, o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou, sem apresentar provas, o atual governo nigeriano de permitir a perseguição de cristão no país, Isso ocorre em uma nação com grande diversidade religiosa,
onde 51% da população é muçulmana, 43% cristã e 6% ligada a práticas locais.
Para o pesquisador, o discurso indica que Washington já conhece um dos pontos capazes de desestabilizar o país, que, segundo ele, vive atualmente "um pacto social que razoavelmente tranquiliza" a situação interna. Mas, caso a adesão ao BRICS seja anunciada, a Nigéria pode se tornar alvo de ações norte-americanas mais concretas?
Para o especialista, em um primeiro momento, não. Isso porque a Nigéria ainda não é uma prioridade dos Estados Unidos para uma eventual intervenção. "O país não está em nenhum dos corredores logísticos que eles estão disputando. Além disso, Washington está, neste momento, muito focado no Irã,
por conta do estreito de Ormuz, e também na Venezuela, onde tenta promover uma transição de governo sem gerar uma guerra civil", afirmou.
Reforço no BRICS e desdolarização
Para Goulart, o peso energético da Nigéria pode ampliar a capacidade do BRICS de influenciar mercados globais e fortalecer iniciativas de redução da dependência do dólar nas transações internacionais. Como exemplo, o especialista cita o comércio energético entre Brasil e Nigéria.
"Quando você vê, por exemplo, a balança comercial entre nós, o Brasil e a Nigéria, você percebe que o Brasil importa petróleo e gás natural da Nigéria. Imagina se a gente começa a fazer esse comércio em moedas nacionais, como têm experimentado a Rússia e a China?"
Na avaliação do pesquisador, esse movimento segue uma tendência que já vem sendo construída por economias do Sul Global. "Depender menos das reservas em dólar e aumentar o comércio por meio de uma cesta de moedas nacionais é algo visto com muito bons olhos.”
Goulart avalia que a
desdolarização não é apenas uma estratégia política, mas uma resposta econômica às assimetrias do sistema financeiro internacional. Segundo ele, os Estados Unidos tentam frear esse processo. "Eles conseguem atrasar, mas acabar com esse caminho eu acho muito difícil", acrescenta.
Nigéria será uma das 10 maiores economias
Já o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nieass/UFRJ), Éden Pereira, lembrou à Sputnik Brasil que estudos indicam que a Nigéria deve se tornar uma das dez maiores economias do mundo até 2050.
"Hoje, o país possui grandes investimentos na formação de engenheiros, médicos e em diversas outras áreas profissionais extremamente importantes para que os países alcancem determinado estágio de desenvolvimento e bem-estar, não apenas para sua população, mas também para exportar bens e serviços para outras partes do mundo", justifica.
Diante disso, o especialista considera
extremamente relevante para o BRICS contar com a Nigéria como membro pleno.
"Não apenas pelo que o país pode oferecer, mas também pelo que o BRICS pode oferecer à própria Nigéria.""Diante de um cenário marcado pela presença constante de potências imperialistas externas e por debilidades sociais e econômicas decorrentes de um modelo de desenvolvimento dependente, a Nigéria precisa de parcerias capazes de abrir caminhos para superar essa condição", defende.
Por fim, o pesquisador ressalta que a nação africana passou por uma série de instabilidades políticas nas últimas décadas, inclusive com tensões entre grupos insurgentes terroristas e o governo. Mesmo assim, a Nigéria tem "conquistado paulatinamente" suas ambições e buscado resolver problemas internos.
"Então, a Nigéria quer estar cada vez mais em espaços de maior relevância e de poder para ela, nos quais também possa incidir nas regras do jogo. Considerando isso, estar como parceira do BRICS é extremamente importante para o país, mas a colocaria em um patamar diferente daquele ocupado hoje por outros países que são membros permanentes do BRICS no continente africano. Por isso, diria eu, ela busca com tanta ansiedade, a partir de agora, se tornar membro pleno do BRICS".
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