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Especialista diz que GNL dos EUA 'debilita Europa' e amplia dependência geopolítica

© Sputnik / Aleksei VitvitskyGasoduto Gazela de transporte de gás russo para a União Europeia
Gasoduto Gazela de transporte de gás russo para a União Europeia - Sputnik Brasil, 1920, 20.01.2026
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A substituição do gás russo pelo GNL norte-americano está causando um "desastre financeiro" para a Europa, afirmou o economista Mamdouh G. Salameh à Sputnik. Segundo ele, a UE ficou presa entre preços elevados, perda de competitividade industrial e crescente dependência estratégica de Washington.
A crise energética europeia ganhou contornos mais profundos após a transição acelerada para o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos. Para o especialista em economia global em energia Mamdouh G. Salameh, o bloco "construiu seu crescimento desde os anos 1970 sobre o gás russo barato", e romper essa base estrutural teve efeitos imediatos sobre a competitividade industrial.
Salameh afirma que a União Europeia (UE) foi "enganada, senão pressionada" a impor sanções ao petróleo e ao gás russos após o início do conflito ucraniano. Ele sustenta que a sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2 (Corrente do Norte 1 e 2) teria como objetivo "cortar para sempre o fornecimento de gás russo para a Europa" e abrir espaço definitivo para o GNL norte-americano.
O resultado, segundo o economista, foi um choque de preços que atingiu em cheio a indústria europeia. Ele destaca que o GNL dos EUA passou a supriu mais de 60% das necessidades de gás da Europa, passando a ser vendido "de duas a quatro vezes mais caro que o gás russo", levando economias como a alemã a encolher e empresas como a Volkswagen a migrarem para regiões com energia mais barata. Em 2025, lembra, o crescimento europeu ficou limitado a 1,3%–1,4%.
Com a meta da UE de eliminar totalmente as importações de energia russa até 2027, o cenário tende a piorar. Salameh resume a situação como um impasse: "A Europa se encontra entre a cruz e a espada." Para ele, o bloco não pode abandonar o GNL norte-americano sem revogar as sanções ao gás russo — movimento politicamente sensível.
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A dependência energética também ampliou a influência de Washington sobre o continente. O especialista afirma que, diante das tensões recentes envolvendo Ucrânia e Groenlândia, "é praticamente impossível para a UE interromper as importações de GNL dos EUA" sem reabrir as portas ao gás russo. Isso coloca Bruxelas diante de um dilema estratégico.
Salameh avalia que a ameaça de cortar compras de GNL poderia servir como pressão diplomática, mas reconhece que a UE não dispõe de alternativas reais.

"[...] a UE não tem alternativa senão retornar ao gás russo mais cedo ou mais tarde. Terá que implorar a [Vladimir] Putin por gás, mas ele exigirá um preço político mais alto por concordar, ou decidir arriscar tudo e deixar a economia da UE entrar em colapso", afirmou o especialista.

Para o economista, o desfecho provável é um enfraquecimento das relações transatlânticas. Ele projeta que, ao final desse processo, o presidente russo pode acabar fornecendo gás à Europa enquanto a parceria com os EUA se deteriora — e até mesmo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), diz, poderia "desaparecer da face da Terra".
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