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Em entrevista, Gilmar Mendes afirma que crise do Master 'está na Faria Lima' e não do Supremo

© Foto / Marcelo Camargo/Agência BrasilO ministro do STF, Gilmar Mendes, durante palestra no evento IDP Summit, no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, Brasília, 25 de fevereiro de 2025
O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante palestra no evento IDP Summit, no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, Brasília, 25 de fevereiro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 24.05.2026
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Para o decano da Suprema Corte brasileira, Gilmar Mendes, apesar de a crise do Banco Master ter exposto falhas de fiscalização e ter respingado no STF por conta da relação de Daniel Vorcaro com os ministros Toffoli e Moraes, a responsabilidade é sistêmica.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (70), afirma que o escândalo envolvendo o Banco Master foi atribuído de forma equivocada ao Supremo, sustentando que a crise é "sistêmica" e deveria recair sobre órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC) do Brasil. Para ele, a corte acabou associada ao caso após a revelação das ligações de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro.

Em entrevista a um jornal de grande circulação do país, Gilmar diz não querer "isentar de responsabilidade quem tem", mas insiste que o problema não nasceu no tribunal. Ele afirma que as relações de ministros com Vorcaro "certamente estão sendo investigadas", destacando que cabe às autoridades competentes esclarecer os fatos.

O ministro também avalia que a rejeição de Jorge Messias ao STF foi resultado de uma disputa "puramente política", agravada pela falha de articulação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso. Segundo ele, o atual governo opera em minoria e não conseguiu construir bases sólidas para viabilizar algumas de suas pautas ou temas de interesse.
Outro ponto de tensão é o Fórum de Lisboa — um encontro anual organizado pelo ministro em parceria com instituições acadêmicas portuguesas, apelidado de Gilmarpalooza.
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Apesar das críticas e do impacto do caso Master, Gilmar afirma que o evento — marcado para 27 a 29 de junho de 2026, na Universidade de Lisboa — segue forte, com "mais de 470 palestrantes", e rejeita qualquer responsabilidade sobre a presença de investigados em atividades paralelas: "Não temos nenhum controle sobre isso".
Ao comentar o debate sobre um código de ética inspirado no modelo alemão, Gilmar considera "ingênua" a ideia de que o problema estaria no fórum. Ele diz que regras estrangeiras não se aplicam integralmente ao Brasil e defende que reformas devem respeitar consensos e a cultura jurídica local. Além disso, por mais de uma ocasião o ministro defendeu que o timing político para a criação do instrumento não era adequado, e que a corte não deveria ceder às pressões sobre o tema.
No que diz respeito à queda de confiança no STF apontada pelo Datafolha, o ministro atribui parte do desgaste à forma como perguntas são feitas e à transferência de responsabilidades externas para a corte. Para ele, por exemplo, a crise do Master "não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima" — ao se referir ao mercado financeiro brasileiro.
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Questionado sobre conflitos de interesse envolvendo parentes advogados e relações com empresários, Gilmar afirma que o Código de Processo Civil (CPC) já prevê impedimentos e que cabe ao Judiciário e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fiscalizar abusos. Ele admite, porém, que "amizades íntimas" exigem cautela.

Em relação às investigações envolvendo Toffoli e Moraes, Gilmar repete que tudo está sob apuração e rejeita conclusões precipitadas: "Qual a relação de causa e efeito?", questiona. Ele também critica o uso de prisões para forçar delações, alertando para riscos de "autoritarismo penal-judicial".

Para o ministro, não há uma crise interna no STF ou divisões, mas ele reconhece que o anúncio do código de ética gerou "desinteligência", sem criticar diretamente o ministro Edson Facchin — atual presidente da corte que defende o instrumento. Por fim, Gilmar defende a continuidade do inquérito das fake news diante do ambiente de radicalização e afirma que reações a ataques, como no caso da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, devem seguir o devido processo legal.
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