Putin: estamos prontos para um acordo de paz baseado nos termos de Anchorage, mas Kiev está?
17:42 04.06.2026 (atualizado: 18:26 04.06.2026)

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (4) que Moscou está preparado para chegar a um acordo de paz e pôr fim ao conflito na Ucrânia por meio de negociações. A fala foi feita durante uma entrevista coletiva no 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF, na sigla em inglês).
De acordo com Putin, qualquer acordo final deve ser assinado por autoridades com legitimidade para representar a Ucrânia. Ele observou que o mandato presidencial de Vladimir Zelensky expirou há dois anos e argumentou que questões em torno de sua legitimidade permanecem sem solução.
O líder russo também destacou que os apelos por eleições na Ucrânia, amplamente discutidos no início deste ano, praticamente desapareceram do debate público.
"Muito se falou sobre as eleições na Ucrânia. Onde estão essas conversas agora? Haverá eleições ou não? O fato de as perguntas terem sido feitas lá também importa. Ninguém mais fala sobre isso. Se houver eleições, quando?"
Ainda sobre a operação especial russa na Ucrânia, Putin declarou que as forças de Moscou avançam diariamente pelo campo de batalha. Só no último mês, o exército da Rússia assumiu o controle de mais 2.400 km².
O presidente russo destaca que a grande dificuldade da Ucrânia, neste momento, é a escassez de militares para combate. Segundo Putin, Kiev perde cerca de 40 mil soldados todo mês, com mais de 20 mil deserções.
Mais cedo, Zelensky publicou uma carta aberta na qual convida Putin para um diálogo em um país intermediário. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que o governo russo tomou conhecimento da publicação e que caso Zelensky deseje dialogar, ele pode ir a Moscou a qualquer momento.
Rússia fortalece parcerias, apesar de pressão global
Putin também comentou durante a coletiva sobre a cooperação com a Índia. Perguntado por um jornalista se as relações de Nova Deli com Washington dificultam as tratativas com Moscou, o presidente russo tratou de desmentir qualquer análise deste tipo.
"O senhor disse que a cooperação da Índia com os Estados Unidos cria dificuldades nas relações da Índia com a Rússia. Não há nada disso, caro colega. Ficamos felizes que a Índia esteja desenvolvendo relações com todos os países. [...] Parece-me que todos já entenderam há muito tempo que pressionar o primeiro-ministro indiano Modi, que lidera um país de 1,5 bilhão de pessoas, é inútil. Além disso, prejudica as relações internacionais e bilaterais, independentemente da origem dessa pressão."
Para Putin, as relações com a Índia são estratégicas para a Rússia. O líder russo destacou a construção da usina nuclear de Kudankulam, enquanto Moscou prevê novos projetos conjuntos na área do uso pacífico da energia nuclear.
"Temos muito trabalho em conjunto. Estamos confiantes de que alcançaremos US$ 100 bilhões em comércio nos próximos anos. Atualmente, está em torno de US$ 60 a 58 bilhões. Mas temos todos os pré-requisitos para trabalhar de forma mais ativa e alcançar metas mais ambiciosas."
O presidente russo também foi questionado sobre as relações entre China e Índia. Para Putin, uma união destas três potências seria algo benéfico para todos.
"As relações da Rússia com a Índia não interferem nas da China, e as relações da Rússia com a China não interferem nas da Índia. E uma aliança entre os três países beneficia a todos."
A Rússia é amiga da China, não contra ninguém, e ambos valorizam o benefício mútuo contínuo, acrescentou o presidente.
"[A parceira com Pequim] não tem relação com os eventos atuais que estão capturando a atenção do mundo, incluindo a questão ucraniana ou mesmo o Oriente Médio. Simplesmente trabalhamos e somos amigos da China, como já disse, não contra ninguém, mas sim em benefício mútuo", afirmou Putin.
O líder de Moscou também comentou que o Kremlin tem investido em uma diversificação do seu portfólio de parceiros.
"Nos últimos anos, especialmente após os eventos que ainda se desenrolam na Ucrânia, tem-se falado cada vez mais que 'a Rússia deu uma guinada para a Ásia, mudou sua política'. A Rússia não mudou nada e não deu nenhuma guinada... Somos aliados e parceiros naturais. Somos vizinhos. Compartilhamos uma vasta fronteira comum.”
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Sobre as questões tensões no Oriente Médio, Putin declarou que a Rússia ainda está preparada para remover urânio enriquecido do Irã como parte dos esforços para resolver o impasse em torno do programa nuclear de Teerã.
Segundo Putin, Moscou não busca impor seus serviços de mediação, e suas propostas já são conhecidas por todas as partes envolvidas. Ele acrescentou que qualquer urânio removido do Irã poderá ser usado posteriormente nos programas pacíficos de energia nuclear do país.
Putin diz ser cedo para pensar em eventual candidatura em 2030
Durante a coletiva de imprensa, Putin foi questionado se participará das eleições de 2030 para concorrer novamente à Presidência da Rússia. Para o líder do Kremlin, é muito cedo para discutir isso.
"Quanto às minhas decisões, de fato, a Constituição me permite concorrer em 2030, mas acho que é muito cedo para falar sobre isso, para ser honesto, é muito cedo mesmo. Nem estou pensando nisso agora. Estou lhe dizendo isso com toda a franqueza, nem penso nisso. O país enfrenta muitos problemas grandes, de grande escala e urgentes. Eles precisam ser resolvidos não pensando nisso, mas pensando no futuro da Rússia."


