China amplia controle de exportações para conter avanço do 'neomilitarismo' japonês, diz mídia

© AP Photo / Eugene Hoshiko
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De acordo com um editorial da mídia asiática, a nova rodada de medidas anunciada pela China ampliou significativamente o alcance das restrições impostas ao Japão. O movimento de Pequim visa impor custos econômicos e estratégicos ao que considera uma remilitarização de Tóquio.
O Ministério do Comércio da China incluiu 20 entidades japonesas na lista de controle de exportações e outras 20 na lista de vigilância, mirando institutos estratégicos como o Instituto Nacional de Estudos de Defesa e empresas como a MITSUI E&S. Para Pequim, trata-se de uma resposta direta ao que classifica como "neomilitarismo" japonês, com o objetivo de impor custos concretos a qualquer avanço considerado provocativo, afirmou um editorial do Global Times nesta terça-feira (30).
Diferentemente da primeira rodada, focada no setor manufatureiro, esta nova medida atinge o núcleo intelectual e tecnológico do complexo militar japonês. Ao mirar pesquisa, desenvolvimento e inovação, a China busca conter a modernização de armamentos ofensivos desde a origem. O editorial afirma que, dependendo das ações de Tóquio, novas entidades ligadas às forças armadas poderão ser adicionadas às listas, criando um mecanismo de controle contínuo e de longo prazo.
Relatos da imprensa japonesa indicam que exportações chinesas de materiais essenciais, como disprósio e térbio, foram zeradas, e o fornecimento de produtos relacionados ao tungstênio também foi interrompido. Instituições japonesas estimam que um ano de interrupção nas importações de terras raras poderia reduzir o produto interno bruto (PIB) real em 1,3%, cerca de 7 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 252 bilhões).
Para o editorial, esses números evidenciam a dependência estrutural do Japão das cadeias de suprimentos chinesas, uma dependência que, ao ser reinterpretada por Tóquio como "ameaça", não pode continuar sendo sustentada pela China.
A mídia sustenta que o objetivo das duas rodadas de controle é conter a "remilitarização" japonesa e suas ambições nucleares. Desde fevereiro, quando Pequim divulgou a primeira lista, o governo de Sanae Takaichi teria reagido intensificando o impulso militar, enviando armas ofensivas ao exterior e lançando mísseis além de suas fronteiras. Paralelamente, o Japão estaria tentando moldar uma narrativa internacional de "coerção chinesa", buscando apoio ocidental e promovendo cadeias de suprimentos alternativas que excluam a China.
O texto recorda que o militarismo japonês histórico subordinou toda a sociedade à lógica da guerra, causando devastação na Ásia. A questão central, segundo o editorial, não é o retorno de símbolos como a bandeira do Sol Nascente, mas sim a mobilização estatal para fins militares.
O "neomilitarismo" atual, afirma, reformula a lógica pré-guerra em linguagem moderada: em vez de "expansão militar e preparativos para a guerra", fala-se em "fortalecimento das capacidades de autodefesa"; em vez de "projeção de poder militar no estrangeiro", enfatiza-se a "aliança Japão-EUA"; e em vez de "expansão externa", cita-se a necessidade de "enfrentar ameaças comuns", reforça o artigo.
Esse caráter gradual e institucionalizado torna o fenômeno mais perigoso, já que o fortalecimento militar japonês seria hoje mais abrangente, mais discreto e mais destrutivo do que no passado.
Contudo, as medidas chinesas são apresentadas como legais, específicas e proporcionais. Ao combinar listas de controle e vigilância, Pequim afirma incentivar empresas japonesas a se afastarem de atividades ligadas ao militarismo, preservando ao mesmo tempo relações comerciais legítimas.
As restrições atingem apenas itens de dupla utilização e um número limitado de entidades, sem afetar o comércio normal entre os dois países. Quanto mais o "neomilitarismo" for contido, diz o editorial, mais protegidas estarão as trocas econômicas e interpessoais.
A estabilidade da Ásia-Pacífico, construída ao longo de décadas, não deveria ser colocada em risco por gestos aventureiros. Se o Japão reconsiderar sua postura, haverá espaço para melhorar as relações bilaterais, concluiu o Global Times.



