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Líderes do Mercosul defendem união diante de tensões globais e anunciam negociações comerciais

© Sputnik Brasil / Leonardo SobreiraAssunção recebe cúpula histórica dos 35 anos do Mercosul com foco em comércio e soberania
Assunção recebe cúpula histórica dos 35 anos do Mercosul com foco em comércio e soberania - Sputnik Brasil, 1920, 30.06.2026
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Assunção recebe cúpula histórica dos 35 anos do Mercosul com foco em comércio e soberania.
Na celebração dos 35 anos do Mercosul, os chefes de Estado do bloco se reúnem nesta terça-feira (30), em Assunção, capital do Paraguai, para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado. O encontro marca a transferência da presidência pro tempore do Paraguai para o Uruguai e tem como principais temas a ampliação da integração regional, a abertura de novos mercados, a redução das assimetrias entre os países-membros e a segurança regional.
A cúpula também ocorreu em meio aos debates sobre as cotas tarifárias do acordo entre Mercosul e União Europeia e não contou com a presença do presidente argentino, Javier Milei.
Na abertura da reunião, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, destacou o significado histórico do encontro. "Hoje é dia de celebrar a amizade, a integração, em que celebramos os 35 anos do Mercosul. Sou um fanático da integração. Se há um país que sofreu pela ausência de instituições que promovessem a integração, provavelmente é o Paraguai, mas isso jamais desmotivou os paraguaios a seguir lutando nesse processo", afirmou.
Peña reconheceu os avanços obtidos pelo bloco, mas defendeu maior ambição: "Não há dúvida de que obtivemos avanços, mas há um sentimento de insatisfação, que é a vontade de fazer muito mais".
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O presidente também elogiou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma força motora da integração regional e convidou os Estados associados — Equador, Chile, Peru, Colômbia, Guiana e Suriname — a se incorporarem efetivamente ao Mercosul, a exemplo da recente adesão da Bolívia, ainda em processamento.
Ao abordar o cenário internacional, o presidente paraguaio ressaltou que "o mundo vive hoje um momento relevante para nós, principalmente no que diz respeito aos conflitos do mundo. Nós na América do Sul somos uma região de paz". Em seguida, voltou a defender mudanças no acordo com a União Europeia. "Assinamos o acordo com a União Europeia e percebemos que a união do Mercosul não era tão forte assim. O Paraguai mantém sua posição sobre as instruções do acordo. Não é um capricho, é uma questão de justiça".
Peña argumentou que a condição geográfica do país exige tratamento diferenciado. "Sendo um país sem saída ao mar, isso nos impõe uma assimetria". Por isso, acrescentou: “Exigimos mais simetria, como questão de justiça.” Questionou ainda: "Para que serve um acordo de livre comércio que aprofunda as assimetrias?" e defendeu que "o Mercosul tem que permitir que o Paraguai cresça". Também negou que sua posição seja "inflexível", afirmando que "o forte e o fraco devem ser colocados em igualdade de condições".
Na área de integração física, defendeu que "nossos controles transfronteiriços têm de deixar de operar em separado". Também anunciou o início das negociações de um acordo de livre comércio com o Japão.
“Hoje celebro que lançamos as negociações de um acordo de livre comércio com o Japão, um passo histórico que fortalece nossa conexão com a Ásia.” Segundo ele, também seguem as negociações com os Emirados Árabes Unidos, houve avanços com o Canadá e ampliação dos acordos com a Índia. Acrescentou ainda que o Uzbequistão, representado na cúpula, “vê o Paraguai como uma porta de entrada ao bloco comercial” e defendeu que "temos que focar nos acordos que já avançamos".
Sobre a situação política regional, Peña afirmou sobre os protestos na Bolívia: "Afirmo nosso mais firme rechaço de desestabilizar a Bolívia. Damos todo o apoio e respaldo ao presidente Rodrigo Paz". Também declarou solidariedade aos venezuelanos afetados pelos terremotos no país: “Envio minha solidariedade aos irmãos da Venezuela e espero que o país volte a ser uma democracia plena.”
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Lula defende acordo com China e destaca o Pix

Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou manifestando solidariedade às vítimas do terremoto na Venezuela. "Ontem falei com a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e quero pedir um minuto de silêncio para as vítimas do terremoto".
Ao analisar o contexto internacional, Lula afirmou que "hoje o mundo está profundamente transformado, com tensões geopolíticas, o protecionismo ressurge, a fragmentação da economia mundial impõe desafios severos". Para enfrentar esse cenário, defendeu a ampliação da integração econômica.
"Nessa cúpula daremos um passo além iniciando as tratativas com o Japão, e logo estaremos trabalhando para fazer o mesmo com a China". Também afirmou que "o projeto de integração deve estar acima das ideologias".
O presidente brasileiro defendeu o avanço da integração energética, com maior cooperação na área elétrica e de gás, e afirmou que "desenvolver cadeias de valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania". Também destacou a proposta apresentada pelo Paraguai para minerais estratégicos. "O mapa do caminho de minerais críticos proposto pelo Paraguai pode ser um ponto de partida para reforçar a autonomia dos nossos países".
Na área financeira, Lula afirmou que "o Pix é referência internacional e sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul". Também destacou a cooperação com a Interpol para combater o crime organizado na Amazônia e anunciou que "o Brasil vai financiar a presença de delegados em Buenos Aires onde está a sede regional da Interpol".
Ao comentar o cenário político interno brasileiro, ressaltou os avanços econômicos do governo e afirmou: "Vou disputar essas eleições para assegurar que o Brasil permaneça um país democrático".

Uruguai anuncia prioridades

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, destacou a ajuda humanitária prestada à Venezuela e defendeu que "o mundo mudou muito rápido e a resposta deve ser mais diálogo e cooperação". Segundo ele, "queremos um Mercosul mais moderno e mais dinâmico, que gera resultados concretos para seus cidadãos".
Orsi afirmou que a principal prioridade uruguaia será avançar na implementação dos acordos comerciais recentemente firmados com a União Europeia e a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre). Também destacou que buscará ampliar as negociações com Japão, Canadá, Vietnã e Índia. No plano interno, defendeu que "seguiremos fortalecendo a agenda interna do bloco, nas fronteiras, que são locais onde as pessoas empreendem todos os dias".

Rodrigo Paz alerta para o 'narcoterrorismo' e protestos

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, pediu solidariedade às vítimas dos bloqueios provocados pelos protestos sociais no país. Segundo ele, "todas as democracias estão ameaçadas e devemos reagir de forma imediata". Afirmou ainda que "a Bolívia atravessa um momento complexo impulsionada por radicais financiados por economias ilícitas e o crime organizado".
Paz declarou que "o Estado de Exceção serve para retornar à normalidade", defendeu que "o narcoterrorismo deve ter uma resposta" e afirmou que "há de se levar em conta a espécie de primavera árabe no nosso continente".
Além dos discursos, a integração regional também avançou no plano institucional. Na véspera da cúpula, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assinou três instrumentos durante a 68ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC): o Acordo do Mercosul sobre o Reconhecimento Mútuo de Meios de Identificação e Autenticação Eletrônica; o Acordo Modificativo do Anexo I do Acordo sobre Documentos de Viagem e de Retorno dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados; e o Protocolo Bilateral sobre Regulamentação do Transporte de Cargas Menores entre Brasil e Paraguai.
O encontro também destacou os resultados alcançados pelo Mercosul desde sua criação, em Assunção, há 35 anos. Nesse período, o comércio entre os países do bloco cresceu 500%, enquanto as exportações para mercados fora do Mercosul aumentaram mais de 800%.
Outro tema de destaque foi o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), após o anúncio de um aporte brasileiro de US$ 100 milhões para reduzir as assimetrias entre os países-membros.
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