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Tarifa de 25% dos EUA mobiliza indústria e agronegócio do Brasil em defesa conjunta, diz mídia

© Sputnik / Sputnik Brasil / Guilherme CorreiaDia da Independência do Brasil na avenida Paulista, em São Paulo (SP), em 7 de setembro de 2025
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Audiências do USTR reúnem entidades brasileiras que tentam barrar a tarifa de 25% proposta pelos EUA, argumentando que a medida carece de base técnica, elevaria custos, afetaria cadeias produtivas integradas e prejudicaria empresas e consumidores dos dois países.
Empresas, associações e representantes do setor produtivo brasileiro participam de audiências públicas nos Estados Unidos para tentar barrar a sobretaxa de 25% proposta pelo governo Donald Trump.
As sessões, conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), são decisivas na investigação baseada na Seção 301, que pode elevar significativamente os custos de exportações brasileiras e também impactar cadeias produtivas norte-americanas.

De acordo com a mídia brasileira, indústria e agronegócio defendem que a tarifa não tem justificativa técnica, econômica ou jurídica. Os setores argumentam que as economias dos dois países são integradas e que a medida encareceria insumos, pressionaria preços ao consumidor e aumentaria a inflação nos EUA.

Entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participam das audiências para apresentar dados e rebater acusações norte-americanas.
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Segundo a apuração, a Fiesp sustenta que a tarifa prejudicaria setores de maior valor agregado em São Paulo, como máquinas, autopeças, alimentos industrializados e móveis. A entidade também contestará pontos da investigação, afirmando que o Brasil avançou em propriedade intelectual, já reduz tarifas para produtos norte-americanos, ampliou produtividade agrícola sem expandir desmatamento e mantém relação comercial complementar com os EUA.

O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, afirmou a um jornal de grande circulação no país que as acusações do USTR não se sustentam e que a tarifa não resolverá os problemas apontados pelos EUA. Para ele, a medida aumentaria custos produtivos nos dois países e exigiria maior articulação política entre os governos para evitar prejuízos bilaterais.

A CNI reforçou que não há evidências de discriminação contra empresas norte-americanas no Brasil e que a sobretaxa ampliaria a imprevisibilidade enfrentada pelo setor privado. A entidade defende negociações diretas entre os governos e alerta para o impacto das mudanças constantes na política comercial dos EUA sobre investimentos e planejamento empresarial.
Ainda de acordo com a apuração, a Abimaq vai pedir a exclusão do setor de máquinas e equipamentos da tarifa, destacando que 82% das exportações brasileiras para os EUA ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico. A entidade argumenta que a ruptura dessas cadeias elevaria custos da indústria norte-americana, que depende de equipamentos desenvolvidos sob encomenda e com certificações específicas.
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Outro produto que preocupa o setor siderúrgico brasileiro é o ferro-gusa. Para o Sindifer, o insumo precisa ser retirado da lista de produtos afetados, já que é essencial para siderúrgicas norte-americanas, difícil de substituir e produzido no Brasil com menor impacto ambiental devido ao uso de carvão vegetal de florestas plantadas. O setor lembra que 83% das exportações brasileiras têm como destino os EUA.
Já no agronegócio, segmentos como mel, café solúvel e pescados defendem que a tarifa pressionaria preços ao consumidor norte-americano e afetaria cadeias produtivas internas. A CNA afirma que os acordos comerciais brasileiros seguem regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o crescimento agrícola decorre de produtividade, não de desmatamento, citando a queda de 79% no desmatamento amazônico entre 2005 e 2026.
Desde a primeira investida tarifária de Trump, o governo brasileiro argumenta que a relação comercial entre os dois países é complementar e não deveria ser alvo de novas barreiras, mas a possível imposição da tarifa de 25% pelos Estados Unidos expõe a fragilidade da relação comercial bilateral.
Para indústria e agronegócio brasileiros, é preciso ainda ampliar negociações, reduzir incertezas e preservar cadeias produtivas integradas que sustentam investimentos e empregos nos dois países, concluiu a apuração.
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