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Lula aponta queda do desmatamento, refuta acusações dos EUA e afirma: 'Eles mentiram'
Lula aponta queda do desmatamento, refuta acusações dos EUA e afirma: 'Eles mentiram'
Sputnik Brasil
Brasil usa dados do INPE para enfrentar ameaça tarifária norte-americana. 11.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-11T13:07-0300
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta quinta-feira (11), o Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília (DF). O chefe do Executivo esteve acompanhado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, entre outras autoridades. Na ocasião, técnicos ambientais oficiais apresentaram os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).Os painéis exibidos mostram uma redução generalizada do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, resultado do fortalecimento das políticas públicas ambientais e do setor após anos de sucateamento, segundo o governo federal.Os números consolidados apontam que, na Amazônia, a queda no desmatamento foi de 61,4% em relação a 2024/2025, a maior redução da série histórica. No Cerrado, a diminuição no desmatamento foi de 8,2% em relação ao mesmo período de 2024/2025. O Deter informa em tempo real os órgãos de controle, e os dados são públicos.O avanço é atribuído a ações coordenadas: os embargos do Ibama aumentaram em 20% comparando o ano passado em relação ao ano retrasado e, só na região da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, o desmatamento na beira da estrada foi reduzido em mais de 70%, com o governo assumindo o controle ambiental da região. As autoridades ambientais também destacaram que diferenciar o desmatamento ilegal do legal é de extrema importância.Com esse desempenho, o Brasil alcançou as menores taxas de desmatamento da história na Amazônia, caminhando no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao objetivo de alcançar o desmatamento zero.Medidas concretas apresentadas sustentam os índices, como a criação e a ampliação de 16 novas Unidades de Conservação federais e a elaboração do Plano Clima, que traça o caminho para que o país enfrente a crise climática até 2035, com foco em promover a justiça climática.Durante o evento, foi enfatizada a contribuição econômica da Amazônia não somente para o Brasil, mas para a região como um todo. Exemplo disso é o Fundo Amazônia, que hoje celebra R$ 1,3 bilhão por ano em aportes, contando com 153 projetos aprovados, enquanto o número de doadores subiu de dois para nove.Reação firme contra ameaça de tarifaço dos EUAA divulgação ocorre em meio a um embate diplomático e comercial. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ameaçou impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil estaria supostamente praticando desmatamento irregular, o que constituiria uma forma de "dumping".O governo brasileiro rejeita fortemente a alegação. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os dados já foram apresentados aos EUA em detalhes em Washington.De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as negociações entre os países para tentar reverter a ameaça acontecem até, no máximo, esta sexta-feira (11).Ao discursar, o presidente Lula criticou asperamente a postura de Washington e as justificativas associadas ao governo de Donald Trump. O presidente declarou: "Eles mentiram".Lula afirmou que os EUA não estão se comportando "de forma civilizada" para negociar, e disparou: "A minha guerra é provar que vocês estão errados e nós estamos certos".Sublinhando a soberania nacional, o mandatário enviou um recado direto ao homólogo americano: "Você [Trump] não foi eleito imperador do mundo. O Brasil quer respeito. Queremos civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países".Lula também ressaltou a sustentabilidade como ativo financeiro, apontando que "o não desmatamento é mais lucrativo que o desmatamento", e destacou que o Brasil é exemplo de política ambiental no mundo. Sobre o direcionamento estratégico das informações do monitoramento, o presidente cobrou a organização: "Quero saber se temos obrigação de mandar isso para as pessoas. Quem cuida da OTCA em cada país".Ele defendeu uma ampla difusão dos resultados oficiais para desarmar narrativas externas: "Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão que coloca a questão do desmatamento e vamos comparar o que acontece aqui e lá".O chefe do Executivo acrescentou que "nosso objetivo não é proibir de fazer as coisas", e pediu maiores investimentos nos municípios em medidas de combate ao clima, de forma integrada com as outras esferas do poder.Defesa técnica dos dados e transparênciaA ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, endossou as críticas do presidente ao afirmar que "muitos dos dados que são usados para atacar o Brasil não têm base", ponderando, por outro lado, que "a disposição do nosso governo com os EUA é para o diálogo".O ministro Capobianco, detalhou a solidez científica dos dados do INPE que dão suporte à posição do país:"Estamos trabalhando para, em 31 de julho, termos a menor taxa da história da Amazônia. Isso põe por terra a acusação injusta dos EUA para justificar a imposição de tarifas". Ele rechaçou as suspeitas sobre a cadeia de produção nacional, assegurando que "o Brasil não está produzindo madeira ilegal".Capobianco confirmou o envio prévio dos relatórios às autoridades americanas e a estratégia de total abertura dos sistemas de monitoramento: "Todos os dados foram mostrados para os EUA em Washington, mas mesmo assim veio essa acusação injusta contra nós".Ele informou o cronograma de liberação dos relatórios e sua aplicação prática no front diplomático:O ministro complementou dizendo que "a transparência voltou a ser a marca do governo", que "não estamos respondendo a algum governo, e sim dando respostas à sociedade", e confirmou que "esses dados serão levados para os EUA".O papel estrutural da OTCA e os desafios regionaisO secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, contextualizou o funcionamento técnico e político do bloco, explicitando a complexidade da articulação entre as nações amazônicas:"O tratado está sob o controle das chancelarias e dos ministérios relevantes. O tratado não executa projetos, e sim cria processos para que os países executem os projetos. Isso não é fácil, leva tempo." Ele alertou para a gravidade da situação ecológica global, pontuando que "evitar o ponto de não retorno é o nosso objetivo".Para Hildebrand, reverter o cenário de degradação exige um esforço que ultrapassa os limites governamentais: "Precisamos da sociedade civil, das comunidades locais, das universidades, dos movimentos religiosos. Essa participação é fundamental, caso contrário não vamos conseguir manter a selva."Por fim, o secretário-geral defendeu uma abordagem integral de desenvolvimento para a região que incorpore as demandas sociais e humanas de seus habitantes:"Desenvolvimento sustentável não é só sobre bioeconomia. É também sobre segurança, com a crise de segurança pública na Amazônia. É também sobre investimentos em saúde. O que se busca é o bem-estar do povo", concluindo que "a OTCA precisa avançar nessas questões".
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta quinta-feira (11), o Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília (DF). O chefe do Executivo esteve acompanhado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, entre outras autoridades. Na ocasião, técnicos ambientais oficiais apresentaram os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Os painéis exibidos mostram uma redução generalizada do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, resultado do fortalecimento das políticas públicas ambientais e do setor após anos de sucateamento, segundo o governo federal.
Os números consolidados apontam que, na Amazônia, a queda no desmatamento foi de 61,4% em relação a 2024/2025, a maior redução da série histórica. No Cerrado, a diminuição no desmatamento foi de 8,2% em relação ao mesmo período de 2024/2025. O Deter informa em tempo real os órgãos de controle, e os dados são públicos.
O avanço é atribuído a ações coordenadas: os embargos do Ibama aumentaram em 20% comparando o ano passado em relação ao ano retrasado e, só na região da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, o desmatamento na beira da estrada foi reduzido em mais de 70%, com o governo assumindo o controle ambiental da região. As
autoridades ambientais também destacaram que diferenciar o desmatamento ilegal do legal é de extrema importância.

22 de setembro 2025, 17:25
Com esse desempenho, o Brasil alcançou as menores taxas de desmatamento da história na Amazônia, caminhando no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao objetivo de alcançar o desmatamento zero.
Medidas concretas apresentadas sustentam os índices, como a criação e a ampliação de 16 novas Unidades de Conservação federais e a elaboração do Plano Clima, que traça o caminho para que o país enfrente a crise climática até 2035, com foco em promover a justiça climática.
Durante o evento, foi enfatizada a contribuição econômica da Amazônia não somente para o Brasil, mas para a região como um todo. Exemplo disso é o Fundo Amazônia, que hoje celebra R$ 1,3 bilhão por ano em aportes, contando com 153 projetos aprovados, enquanto o número de doadores subiu de dois para nove.
Reação firme contra ameaça de tarifaço dos EUA
A divulgação ocorre em meio a um embate diplomático e comercial. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ameaçou
impor um novo tarifaço contra produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil estaria supostamente praticando desmatamento irregular, o que constituiria uma forma de "dumping".
O governo brasileiro rejeita fortemente a alegação. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os dados já foram apresentados aos EUA em detalhes em Washington.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as negociações entre os países para tentar reverter a ameaça acontecem até, no máximo, esta sexta-feira (11).
Ao discursar, o presidente Lula criticou asperamente a postura de Washington e as justificativas associadas ao governo de Donald Trump. O presidente declarou: "Eles mentiram".
Lula afirmou que os EUA não estão se comportando "de forma civilizada" para negociar, e disparou: "A minha guerra é provar que vocês estão errados e nós estamos certos".
Sublinhando a soberania nacional, o mandatário enviou um recado direto ao homólogo americano: "Você [Trump] não foi eleito imperador do mundo. O Brasil quer respeito. Queremos civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países".
Lula também ressaltou a sustentabilidade como ativo financeiro, apontando que "o não desmatamento é mais lucrativo que o desmatamento", e destacou que o Brasil é exemplo de política ambiental no mundo. Sobre o direcionamento estratégico das informações do monitoramento, o presidente cobrou a organização: "Quero saber se temos obrigação de mandar isso para as pessoas. Quem cuida da OTCA em cada país".
Ele defendeu uma ampla difusão dos resultados oficiais para desarmar narrativas externas: "Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão que coloca a questão do desmatamento e vamos comparar o que acontece aqui e lá".
O chefe do Executivo acrescentou que "nosso objetivo não é proibir de fazer as coisas", e pediu maiores investimentos nos municípios em medidas de combate ao clima, de forma integrada com as outras esferas do poder.
Defesa técnica dos dados e transparência
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação,
Luciana Santos, endossou as críticas do presidente ao afirmar que "muitos dos dados que são usados para
atacar o Brasil não têm base", ponderando, por outro lado, que "a disposição do nosso governo com os EUA é para o diálogo".
O ministro Capobianco, detalhou a solidez científica dos dados do INPE que dão suporte à posição do país:
"Estamos trabalhando para, em 31 de julho, termos a menor taxa da história da Amazônia. Isso põe por terra a acusação injusta dos EUA para justificar a imposição de tarifas". Ele rechaçou as suspeitas sobre a cadeia de produção nacional, assegurando que "o Brasil não está produzindo madeira ilegal".
Capobianco confirmou o envio prévio dos relatórios às autoridades americanas e a estratégia de total abertura dos sistemas de monitoramento: "Todos os dados foram mostrados para os EUA em Washington, mas mesmo assim veio essa acusação injusta contra nós".
Ele informou o cronograma de liberação dos relatórios e sua aplicação prática no front diplomático:
"Os dados se tornam públicos a partir de hoje, às 12h00, e qualquer cidadão poderá entrar no site do INPE em qualquer lugar do mundo para verificar. Esses dados serão usados nas negociações com os EUA."
O ministro complementou dizendo que "a transparência voltou a ser a marca do governo", que "não estamos respondendo a algum governo, e sim
dando respostas à sociedade", e confirmou que "esses dados serão levados para os EUA".
O papel estrutural da OTCA e os desafios regionais
O secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, contextualizou o funcionamento técnico e político do bloco, explicitando a complexidade da articulação entre as nações amazônicas:
"O tratado está sob o controle das chancelarias e dos ministérios relevantes. O tratado não executa projetos, e sim cria processos para que os países executem os projetos. Isso não é fácil, leva tempo." Ele alertou para a gravidade da
situação ecológica global, pontuando que "evitar o ponto de não retorno é o nosso objetivo".
Para Hildebrand, reverter o cenário de degradação exige um esforço que ultrapassa os limites governamentais: "Precisamos da sociedade civil, das comunidades locais, das universidades, dos movimentos religiosos. Essa participação é fundamental, caso contrário não vamos conseguir manter a selva."
Por fim, o secretário-geral defendeu uma abordagem integral de desenvolvimento para a região que incorpore as demandas sociais e humanas de seus habitantes:
"Desenvolvimento sustentável não é só
sobre bioeconomia. É também sobre segurança, com a
crise de segurança pública na Amazônia. É também sobre investimentos em saúde. O que se busca é o bem-estar do povo", concluindo que "a OTCA precisa avançar nessas questões".
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