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Professor da FGV rebate em audiência tese dos EUA contra Pix e prevê decisão política sobre tarifas
Professor da FGV rebate em audiência tese dos EUA contra Pix e prevê decisão política sobre tarifas
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Ao longo dos últimos dois dias, representantes dos setores empresariais do Brasil e dos Estados Unidos, além de autoridades e especialistas, participaram de... 07.07.2026, Sputnik Brasil
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Favorecimento de pagamentos digitais através do Pix, tarifas preferenciais a países como México e Índia e ainda falhas no combate à corrupção. Esses são alguns dos argumentos apresentados em relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) no último mês que propõe a imposição de tarifas de 25% sobre importações de produtos brasileiros.Enquanto especialistas apontam que questões políticas são a principal explicação para a retomada da medida contra o Brasil, o órgão norte-americano promoveu audiências públicas que terminaram nesta terça-feira (7), em Washington, para debater as supostas práticas "desleais" do país que afetam a economia dos Estados Unidos.Entre os participantes, estava o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro Gustavo Pessoa. Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista ressaltou que os sete painéis temáticos realizados na última segunda-feira (6) foram marcados por debates técnicos, com representantes de associações de classe e de empresas brasileiras e norte-americanas defendendo a exclusão total ou parcial das tarifas.Já nesta terça, quando esteve presente o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o tom do discurso destoou dos demais.Conforme Pessoa, o político chegou atrasado e acompanhado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e outros três assessores. "Foi o único discurso em todos esses dois dias que teve um peso mais politizado. O Flávio Bolsonaro não chegou com dados concretos e nem argumentos robustos, acabou se baseando apenas em política", contou.Entre as acusações do senador, estavam a tentativa do atual governo de "empurrar ainda mais o Brasil" para a influência da China, um possível envolvimento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com esquema de corrupção e também a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente condenou o irmão a quatro anos e dois meses de reclusão.Questionado sobre a impressão geral deixada pelas audiências, Pessoa afirmou que a equipe técnica do governo norte-americano demonstrou ter estudado previamente o material enviado pelos participantes e conduziu os debates de forma criteriosa. Segundo ele, havia representantes de diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos na mesa responsável pelas perguntas.Para o economista, a análise técnica conduzida pelos departamentos norte-americanos tende a ser consistente, embora a decisão final dependa da esfera política. "Me parece que será feito um trabalho robusto, com muitos dados que nós fornecemos. Porém, isso será submetido aos superiores, que provavelmente irão tomar uma decisão política", avaliou.Pix beneficia empresas brasileiras e norte-americanasDurante sua apresentação, o professor da FGV buscou rebater um dos principais argumentos utilizados pelo USTR para justificar a investigação comercial: a tese de que o Pix criaria uma vantagem competitiva indevida para as empresas brasileiras sobre as norte-americanas. Segundo Pessoa, a ampla adoção do sistema demonstra justamente o contrário.O pesquisador também contestou a ideia de que o Pix teria prejudicado as operadoras de cartões de crédito. "A emissão de cartões de crédito no Brasil dobrou após o advento do Pix. Isso derruba a tese de que são concorrentes do sistema. Eles oferecem um serviço complementar e também se beneficiam do Pix", explicou.Pessoa acrescentou ainda que empresas norte-americanas de tecnologia e comércio eletrônico também foram favorecidas pela infraestrutura brasileira de pagamentos instantâneos. "Conseguimos explicar um pouco mais sobre o Brasil para as pessoas que estão conduzindo essa investigação. Me parece que existe muito desconhecimento sobre o funcionamento do país e do próprio sistema financeiro brasileiro", disse.'Não existe correlação entre tarifas e o Pix'Segundo Pessoa, um dos principais argumentos apresentados pelos norte-americanos é que o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos, o que configuraria um conflito de interesses. Para ele, essa tese perde força quando comparada à própria experiência dos Estados Unidos.O especialista também comparou o Pix ao UPI, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pela Índia, que movimenta um volume de transações ainda maior que o brasileiro. Apesar disso, segundo ele, o caso brasileiro se destaca pela velocidade de adoção e pelo impacto sobre a inclusão financeira.O economista revelou ainda que uma representante do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos perguntou diretamente como o país poderia se beneficiar da experiência brasileira. "Expliquei que, por serem o maior centro financeiro do Ocidente, os Estados Unidos deveriam compreender que os meios de pagamento digitais chegaram para ficar. Independentemente de qualquer iniciativa, essa transformação não será revertida. O mais interessante para eles seria aprender com essa experiência", finalizou.
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Fala de Flávio Bolsonaro destoou de audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil
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Pix também beneficia empresas norte-americanas, afirma economista
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Professor da FGV rebate em audiência tese dos EUA contra Pix e prevê decisão política sobre tarifas
Especiais
Ao longo dos últimos dois dias, representantes dos setores empresariais do Brasil e dos Estados Unidos, além de autoridades e especialistas, participaram de uma audiência pública em Washington para discutir a proposta de tarifa de 25% do governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A Sputnik Brasil conversou com um dos participantes.
Favorecimento de pagamentos digitais através do Pix, tarifas preferenciais a países como México e Índia e
ainda falhas no combate à corrupção. Esses são alguns dos argumentos apresentados em relatório do
Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) no último mês que propõe a imposição de
tarifas de 25% sobre importações de produtos brasileiros.
Enquanto especialistas apontam que questões políticas são a principal explicação para a retomada da medida contra o Brasil, o órgão norte-americano promoveu audiências públicas que terminaram nesta terça-feira (7), em Washington, para debater as supostas práticas "desleais" do país que afetam a economia dos Estados Unidos.
Entre os participantes, estava o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro Gustavo Pessoa. Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista ressaltou que os sete painéis temáticos realizados na última segunda-feira (6) foram marcados por debates técnicos, com
representantes de associações de classe e de empresas brasileiras e norte-americanas defendendo a
exclusão total ou parcial das tarifas.
Já nesta terça, quando esteve presente o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o tom do discurso destoou dos demais.
Conforme Pessoa, o político chegou atrasado e acompanhado do irmão, o
ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e outros três assessores. "Foi o único discurso em todos esses dois dias que teve um peso mais politizado. O Flávio Bolsonaro não chegou com dados concretos e nem argumentos robustos,
acabou se baseando apenas em política", contou.
Entre as acusações do senador, estavam a tentativa do atual governo de "empurrar ainda mais o Brasil" para a influência da China, um possível envolvimento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com esquema de corrupção e também a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente condenou o irmão a quatro anos e dois meses de reclusão.
"A última citação dele foi querendo dizer que não deveria haver taxação por conta do Pix, porque o sistema foi uma criação do governo Bolsonaro. Então, o discurso dele destoou de todos e você também percebia que o pessoal da mesa diretora [da audiência] não estava confortável com esse tipo de exposição. Era possível perceber uma inquietude, falta de costume com esse tipo de discurso", resumiu.
Questionado sobre a impressão geral deixada pelas audiências, Pessoa afirmou que a equipe técnica do governo norte-americano demonstrou ter estudado previamente o material enviado pelos participantes e conduziu os debates de forma criteriosa. Segundo ele, havia representantes de diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos na mesa responsável pelas perguntas.
Para o economista, a análise técnica conduzida pelos departamentos norte-americanos tende a ser consistente, embora a
decisão final dependa da esfera política. "Me parece que será feito um trabalho robusto, com muitos dados que nós fornecemos. Porém, isso será submetido aos superiores, que
provavelmente irão tomar uma decisão política", avaliou.
Pix beneficia empresas brasileiras e norte-americanas
Durante sua apresentação, o professor da FGV buscou rebater um dos principais argumentos utilizados pelo USTR para justificar a investigação comercial: a tese de que o Pix criaria uma vantagem competitiva indevida para as empresas brasileiras sobre as norte-americanas. Segundo Pessoa, a ampla adoção do sistema demonstra justamente o contrário.
"Mostrei que atualmente temos cerca de 165 milhões de pessoas utilizando o Pix e mais de 19 milhões de empresas que fazem uso diário da ferramenta. Não existe qualquer discriminação entre empresas nacionais e internacionais. Todas desfrutam dos benefícios do sistema", afirmou.
O pesquisador também contestou a ideia de que o Pix teria prejudicado as operadoras de cartões de crédito. "A emissão de cartões de crédito no Brasil dobrou após o advento do Pix. Isso derruba a tese de que são concorrentes do sistema. Eles oferecem um serviço complementar e também se beneficiam do Pix", explicou.
Pessoa acrescentou ainda que empresas norte-americanas de tecnologia e comércio eletrônico também foram favorecidas pela
infraestrutura brasileira de pagamentos instantâneos. "Conseguimos explicar um pouco mais sobre o Brasil para as pessoas que estão conduzindo essa investigação. Me parece que existe muito desconhecimento sobre o funcionamento do país e do próprio sistema financeiro brasileiro", disse.
'Não existe correlação entre tarifas e o Pix'
Segundo Pessoa, um dos principais argumentos apresentados pelos norte-americanos é que o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos, o que configuraria um conflito de interesses. Para ele, essa tese perde força quando comparada à própria experiência dos Estados Unidos.
"O FedNow, lançado pelo Federal Reserve em 2023, possui exatamente as mesmas características. O banco central norte-americano também oferece o serviço e exerce a função regulatória. A diferença é que a adesão ao sistema nos Estados Unidos foi muito baixa, com poucos bancos e empresas utilizando a plataforma", argumentou.
O especialista também comparou o Pix ao UPI, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pela Índia, que movimenta um
volume de transações ainda maior que o brasileiro. Apesar disso, segundo ele, o caso brasileiro se destaca pela velocidade de adoção e pelo
impacto sobre a inclusão financeira.
"No primeiro ano do Pix, cerca de 40 milhões de pessoas que nunca haviam realizado uma transação bancária passaram a utilizar o sistema. É uma ferramenta de política econômica e social sem paralelo em outros países", afirmou.
O economista revelou ainda que uma representante do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos perguntou diretamente como o país poderia se beneficiar da experiência brasileira. "Expliquei que, por serem o maior centro financeiro do Ocidente, os Estados Unidos deveriam compreender que os meios de pagamento digitais chegaram para ficar. Independentemente de qualquer iniciativa, essa transformação não será revertida. O mais interessante para eles seria aprender com essa experiência", finalizou.
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