Mídia: tarifa de 25% dos EUA pressiona exportações brasileiras e governo Lula evita retaliação imediata

© Sputnik / Sputnik Brasil / Guilherme Correia
Nos siga no
O novo tarifaço dos EUA de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor enquanto o governo Lula adota cautela, evita retaliações imediatas e aposta em negociações técnicas para ampliar exceções, diante do risco de escalada comercial, às vésperas das eleições.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros começa a valer nesta quarta-feira (22), inaugurando um período de tensão diplomática e cautela estratégica por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o Planalto tenha classificado a medida como um "marco lastimável", a orientação interna, segundo um jornal de grande circulação no país, é evitar retaliações imediatas e concentrar esforços em ampliar a lista de exceções negociadas com Washington.
A Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025, oferece ao Brasil instrumentos robustos de resposta, como suspensão de patentes, sobretaxas sobre serviços, restrições a investimentos e revisão de acordos comerciais. No entanto, especialistas lembram que sua aplicação envolve etapas longas, consultas públicas e análises técnicas que tornam qualquer reação lenta e potencialmente arriscada para a economia doméstica.
De acordo com a apuração, setores diretamente afetados, como máquinas agrícolas, papel e etanol, manifestaram ao governo que preferem uma abordagem diplomática alertando que uma retaliação tarifária poderia encarecer insumos essenciais importados dos EUA, pressionando custos de produção e, em última instância, os preços ao consumidor brasileiro.
O risco de escalada também pesa na decisão. Documentos oficiais dos EUA afirmam que, caso o Brasil adote medidas de reciprocidade, Washington pode ampliar ainda mais as tarifas, repetindo a lógica da guerra comercial entre EUA e China, que levou alíquotas a ultrapassar 100% e paralisou fluxos comerciais inteiros.
Diante desse cenário, analistas consultados pela mídia apontam três caminhos possíveis: negociar tecnicamente item por item, priorizando temas com margem de acordo; manter a reciprocidade como instrumento de pressão, sem acioná-la de imediato; e atuar na "segunda mesa", pressionando empresas norte-americanas, congressistas e governos locais que possam influenciar o Executivo dos EUA.
O governo brasileiro também prepara medidas internas para amortecer impactos. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) desenvolve um programa de diversificação de mercados, com investimento de R$ 130 milhões, enquanto o Planalto estuda linhas de crédito condicionadas à manutenção de empregos e ações para abrir novos destinos de exportação.
A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA adiciona uma camada política ao impasse. A apuração aponta que, na avaliação dos especialistas, até outubro, o governo deve manter discursos firmes em defesa da soberania, mas evitar ações práticas que possam gerar efeitos econômicos imediatos ou alimentar tensões com Trump.
O tarifaço também repercute no cenário eleitoral brasileiro. Pesquisa Quaest indica que parte da população atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilidade pela decisão norte-americana, o que preocupa aliados do pré-candidato.
Apesar do barulho político, a leitura predominante entre analistas é de que as negociações devem se prolongar sem respostas concretas no curto prazo. A estratégia brasileira tende a combinar firmeza retórica com pragmatismo técnico, buscando exceções setoriais e evitando danos permanentes à economia.
A expectativa é de que avanços reais ocorram apenas após o ciclo eleitoral, enquanto Brasília mantém canais diplomáticos ativos, e evita movimentos bruscos, trabalhando para que o impacto das tarifas seja limitado, esvaziando o potencial de uma guerra comercial.



