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Embraer pode dominar o mercado indiano? Analista explica as vantagens para o Brasil na Ásia (VÍDEOS)

© Foto / Virendra Singh / Secom / PRDa esquerda para a direita: Marcelo Damasceno (comandante da Aeronáutica); José Mucio (ministro da Defesa); Kenneth Haczynski (embaixador do Brasil na Índia), Geraldo Alckmin (vice-presidente); Bosco da Costa Junior (presidente da Embraer Defesa & Segurança); e Shri Naidu (ministro da Aviação Civil da Índia)
Da esquerda para a direita: Marcelo Damasceno (comandante da Aeronáutica); José Mucio (ministro da Defesa); Kenneth Haczynski (embaixador do Brasil na Índia), Geraldo Alckmin (vice-presidente); Bosco da Costa Junior (presidente da Embraer Defesa & Segurança); e Shri Naidu (ministro da Aviação Civil da Índia) - Sputnik Brasil, 1920, 23.10.2026
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A aquisição de uma participação majoritária na indiana Novavayu Aerospace pela Embraer marca uma nova etapa da aproximação industrial e militar entre Brasil e Índia, dois integrantes do BRICS. A operação ocorre enquanto a fabricante brasileira disputa um potencial contrato de até 80 aeronaves C-390 Millennium para a Força Aérea indiana.
Como pontua Igor Estima Sardo, doutorando em ciência política pela UFRGS e pesquisador associado do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), em entrevista à Sputnik Brasil, a Embraer deu um passo importante para sua expansão operacional ao nível global.

"A aquisição de ações que a Embraer fez da empresa indiana, é de fato uma aquisição majoritária, e adquiriu 51% das ações dessa empresa. Essa aquisição representa muito um aumento da participação de market share, de fatia do mercado, e a Embraer aumenta essa fatia do mercado mundial da indústria aeroespacial", disse.

Essa aproximação estratégica entre Brasília e Nova Deli, conforme relata o pesquisador, longe de ser uma novidade, reflete uma sólida cooperação histórica. As duas nações mantêm e aprofundam parcerias de longa data em múltiplos setores comerciais e tecnológicos, além de articularem posições conjuntas em instâncias internacionais do Sul Global.

"Do ponto de vista estratégico, a parceria entre Brasil e Índia, na verdade, ela é já bastante histórica. Há uma cooperação Sul-Sul entre os dois países que data aí desde a época da independência da Índia nos anos 40, no século passado. A Índia, ela tem sido realmente uma parceira muito forte do Brasil em diferentes foros", comenta.

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Índia pode abrir novas oportunidades para a Embraer

Conforme pontua Sardo, a parceria aeroespacial militar também sinaliza um horizonte promissor. O otimismo decorre do interesse da Índia em adquirir dezenas de aeronaves de transporte tático KC-390. Caso a Embraer vença a concorrência, o contrato impulsionará significativamente as vendas externas desse modelo, que figura como o principal destaque de defesa da fabricante brasileira.

"A expectativa é de que a Índia compre mais ou menos cerca de 80 [aeronaves] KC-390, que é um cargueiro de enorme sucesso no mercado internacional. Esse é um cargueiro que tem uma multifunção, desde aspectos civis até aspectos militares. Isso é muito significativo para a empresa, mas muito também para o Brasil", destaca.

Além do aspecto estritamente comercial, o especialista enfatiza que esse tipo de cooperação internacional fortalece a força de trabalho brasileira ao expandir sua expertise técnica com a Embraer. Essa dinâmica não apenas abre postos de trabalho qualificados no exterior, mas também atua como um canal estratégico para prover novas receitas e divisas ao mercado brasileiro.

"É bom lembrar que esses investimentos externos em outros países, eles proporcionam maiores oportunidades de emprego para brasileiros, nossos engenheiros aeroespaciais, que têm uma capacidade muito grande. Além de que, claro, investindo lá fora, a empresa está realmente trazendo de volta uma receita para o Brasil", observa.

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Cooperação entre o Brasil e a Índia aproxima o BRICS

Diante desse cenário, a inserção internacional do país não se limita a acordos estritamente bilaterais, mas encontra ressonância em alianças multilaterais mais robustas. Segundo Sardo, a iniciativa brasileira-indiana tem potencial para ser ampliada no âmbito do BRICS.

"Dentro do BRICS, eu realmente acho que essa parceria entre Brasil, Índia, China, Rússia, além de outros novos membros dos BRICS, como os Emirados Árabes Unidos, Irã, que são países que podem realmente participar de uma cadeia [de aviação] com maior parceria e integração no BRICS", conclui.

Parcerias estratégicas, como a cooperação aeroespacial entre Brasil e Índia, mostram o potencial de superar a dependência de commodities. Ao fortalecer seu mercado interno e projetar essas capacidades além das fronteiras brasileiras, o país se consolida como um ator central no âmbito da aviação e defesa.
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