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Derrota dos republicanos reduz apoio financeiro dos EUA a Milei, aponta analista
Derrota dos republicanos reduz apoio financeiro dos EUA a Milei, aponta analista
Sputnik Brasil
O resultado negativo do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos impacta o governo argentino, uma vez que os democratas poderão... 05.11.2026, Sputnik Brasil
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Depois de conduzir grande parte de sua política externa alinhada ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, o presidente argentino, Javier Milei, pode ser diretamente prejudicado pelos democratas no Congresso. A influência deles pode limitar o principal apoio externo de que dispõe o programa econômico do governo argentino.No centro dessa preocupação está o swap (troca de moedas) de US$ 20 bilhões (mais de R$ 109,19 bilhões) que o Tesouro dos EUA, sob a gestão de Scott Bessent, firmou com o Banco Central da Argentina em outubro de 2025, em plena campanha legislativa no país. A Casa Rosada chegou a utilizar US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,65 bilhões) antes das eleições, devolvendo o montante em dezembro daquele ano; contudo, a linha de troca de moedas permanece vigente.A operação foi questionada desde o início pela oposição norte-americana. Um grupo de 36 deputados democratas exigiu que Bessent revelasse os custos e riscos do acordo. Além disso, a senadora Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê Bancário do Senado, enviou uma carta solicitando o encerramento da linha, alertando que ela continuava ativa muito tempo após as eleições argentinas.Esse apoio constitui um dos elementos da chamada "bazuca" de dólares com a qual o governo da nação sul-americana promete conter qualquer pressão de desvalorização cambial em 2027, ano de eleições presidenciais. Milei estimou o valor em US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 682,4 bilhões), uma cifra que inclui os swaps com Washington e Pequim (de US$ 20 bilhões cada) e que supera os US$ 75 bilhões (cerca de R$ 409,4 bilhões) mencionados pelo próprio mandatário no início de outubro.Com maioria em ambas as Casas, os democratas passarão a controlar as comissões com poder de convocar autoridades e exigir documentação sobre o Fundo de Estabilização Cambial, o instrumento do Tesouro que financiou o swap. Até agora, o controle legislativo sobre esse fundo limitava-se, em grande medida, a relatórios a posteriori sobre suas operações, apresentados pelo Tesouro mensal e anualmente.Somam-se a isso projetos que visam proibir qualquer assistência à Argentina por meio desses recursos. Contudo, uma eventual aprovação esbarraria no veto presidencial, o qual os democratas não conseguiriam derrubar sem o apoio de dois terços dos parlamentares.O mercado já reflete essa incerteza. Após a divulgação dos resultados, o risco-país da Argentina, medido pelo JP Morgan, atingiu 827 pontos-base, o patamar mais elevado desde outubro de 2025 e mais que o dobro do piso de 403 pontos registrado em 7 de julho, ao passo que os títulos soberanos acumulam perdas entre 5% e 14% no ano.Menos margem financeira"Essa derrota de Trump retira do governo graus de liberdade adicionais, sobretudo do ponto de vista financeiro", disse à Sputnik Ramiro Tosi, ex-subsecretário de Financiamento da Argentina (2019-2022). O economista alertou que essa margem seria fundamental caso, no próximo ano, se repita uma turbulência como a ocorrida entre agosto e outubro de 2025.Para o especialista, o mercado já vinha antecipando esse cenário. Ele lembrou que, em julho, após o pagamento do último cupom, o risco-país girava em torno de 400 pontos e que, desde então, a tendência "foi sempre de alta, pois os investidores começaram a questionar a consistência e a continuidade do plano, tendo em vista as eleições de 2027".O especialista previu que a nova correlação de forças obrigará republicanos e democratas a negociar temas centrais para a economia norte-americana, nos quais questões periféricas como a Argentina "podem ou não ser incluídas". Caso esse cenário se complique, Washington poderia recorrer à sua influência junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial para manter a assistência, argumentou.Consultado pela Sputnik, o cientista político Mauricio Vázquez acrescentou um componente geopolítico ao resultado eleitoral.Uma 'bazuca' sob suspeitaCom um olhar crítico sobre a estratégia oficial, Tosi questionou a própria noção de "bazuca". Segundo ele ressaltou, a literatura econômica recomenda que as autoridades evitem "o fenômeno da profecia autorrealizável, algo que, neste caso, o próprio governo está alimentando com seus anúncios de possíveis turbulências financeiras no próximo ano", as quais exigiriam uma "bazuca".O economista lembrou que, em menos de três semanas, os números oficiais sobre a capacidade de atender à demanda por dólares — por parte de poupadores, empresas e para o pagamento de dívidas — sofreram alterações. "Quando o mercado começou a analisar os detalhes concretos da composição desse número, surgiram elementos de eficácia duvidosa", observou.Vázquez apontou que "Trump enfrentará um Congresso muito mais hostil, que poderá, sem dificuldades, investigar cada movimentação financeira, como o apoio concedido a Milei no ano passado, o que pode restringir a possibilidade de uma repetição no próximo ano".Na mesma linha, o cientista político relacionou o resultado ao cenário regional. "As eleições recentes no continente foram desfavoráveis a Milei. As derrotas de [Flávio] Bolsonaro e de Trump deixam evidente a fragilidade de sua estratégia, que consistiu em apostar todas as fichas nesses dois líderes", afirmou.
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Derrota dos republicanos reduz apoio financeiro dos EUA a Milei, aponta analista
05:51 05.11.2026 (atualizado: 08:00 05.11.2026) O resultado negativo do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos impacta o governo argentino, uma vez que os democratas poderão investigar o swap de US$ 20 bilhões que o Tesouro firmou com o país sul-americano em 2025, uma peça-chave para o programa econômico de Buenos Aires.
Depois de conduzir grande parte de sua
política externa alinhada ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, o presidente argentino, Javier Milei, pode ser diretamente prejudicado pelos democratas no Congresso. A influência deles pode limitar o principal apoio externo de que dispõe o programa econômico do governo argentino.
No
centro dessa preocupação está o swap (troca de moedas) de US$ 20 bilhões (mais de R$ 109,19 bilhões) que o Tesouro dos EUA, sob a gestão de Scott Bessent,
firmou com o Banco Central da Argentina em outubro de 2025, em plena campanha legislativa no país. A Casa Rosada chegou a utilizar US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,65 bilhões) antes das eleições, devolvendo o montante em dezembro daquele ano; contudo, a linha de troca de moedas permanece vigente.
A
operação foi questionada desde o início pela oposição norte-americana. Um grupo de 36 deputados democratas exigiu que Bessent revelasse os custos e riscos do acordo. Além disso, a senadora Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê Bancário do Senado, enviou uma carta solicitando o
encerramento da linha, alertando que ela continuava ativa muito tempo após as eleições argentinas.
Esse apoio constitui um dos elementos da chamada "bazuca" de dólares com a qual o governo da nação sul-americana
promete conter qualquer pressão de desvalorização cambial em 2027, ano de
eleições presidenciais.
Milei estimou o valor em US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 682,4 bilhões), uma cifra que inclui os swaps com Washington e Pequim (de US$ 20 bilhões cada) e que supera os US$ 75 bilhões (cerca de R$ 409,4 bilhões) mencionados pelo próprio mandatário no início de outubro.
No entanto, boa parte desse montante refere-se a linhas contingentes, e não a dólares próprios. Segundo estimativas do setor privado, os vencimentos do Tesouro e do Banco Central somam cerca de US$ 30,1 bilhões (mais de R$ 164,3 bilhões) em 2027, frente a apenas US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 40,4 bilhões) em financiamento já identificado, uma lacuna que o governo precisará cobrir por meio da acumulação de reservas, refinanciamentos ou assistência externa.
Com maioria em ambas as Casas, os
democratas passarão a controlar as comissões com poder de convocar autoridades e exigir documentação sobre o Fundo de Estabilização Cambial, o instrumento do Tesouro que financiou o swap. Até agora, o
controle legislativo sobre esse fundo limitava-se, em grande medida, a relatórios a posteriori sobre suas operações, apresentados pelo Tesouro mensal e anualmente.
A legislação vigente também impõe um limite, já que, desde 1977, os empréstimos concedidos pelo fundo não podem ultrapassar seis meses, a menos que o presidente notifique o Congresso sobre a existência de "circunstâncias únicas ou exigentes".
Somam-se a isso projetos que visam proibir qualquer assistência à Argentina
por meio desses recursos. Contudo, uma eventual aprovação esbarraria no veto presidencial, o qual os democratas não conseguiriam derrubar sem o apoio de dois terços dos parlamentares.
Por outro lado, a Casa Branca mantém seu respaldo. Em outubro, Bessent deixou em aberto a possibilidade de uma nova intervenção financeira em favor da Argentina e defendeu o swap de 2025, afirmando que o Tesouro obteve lucros com a operação, alinhando-se ao apoio que Trump, na ocasião, condicionou ao resultado eleitoral de Milei.
O mercado já reflete essa incerteza. Após a divulgação dos resultados, o risco-país da Argentina, medido pelo JP Morgan, atingiu 827 pontos-base, o
patamar mais elevado desde outubro de 2025 e mais que o dobro do piso de 403 pontos registrado em 7 de julho, ao passo que os títulos soberanos
acumulam perdas entre 5% e 14% no ano.
"Essa
derrota de Trump retira do governo graus de liberdade adicionais, sobretudo do ponto de vista financeiro", disse à Sputnik Ramiro Tosi, ex-subsecretário de Financiamento da Argentina (2019-2022). O economista alertou que essa margem seria fundamental caso, no próximo ano, se repita uma turbulência como a ocorrida entre agosto e outubro de 2025.
Para o especialista, o mercado já vinha
antecipando esse cenário. Ele lembrou que, em julho, após o pagamento do último cupom, o risco-país girava em torno de 400 pontos e que, desde então, a
tendência "foi sempre de alta, pois os investidores começaram a questionar a consistência e a continuidade do plano, tendo em vista as eleições de 2027".
Segundo Tosi, após a assistência do Fundo de Estabilização Cambial dos EUA, a senadora Elizabeth Warren promoveu um projeto para evitar que esse tipo de auxílio se repetisse "sem qualquer consulta prévia ao Congresso; resta saber, portanto, se essa iniciativa voltará à pauta política ou não", alertou.
O especialista previu que a nova correlação de forças obrigará republicanos e democratas a negociar temas centrais para a
economia norte-americana, nos quais questões periféricas como a Argentina "podem ou não ser incluídas". Caso esse cenário se complique,
Washington poderia recorrer à sua influência junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial para manter a assistência, argumentou.
Consultado pela Sputnik, o cientista político Mauricio Vázquez acrescentou um componente geopolítico ao resultado eleitoral.
"Ontem, a narrativa geopolítica de Milei sofreu uma derrota duríssima. Isso atinge diretamente o governo, uma vez que toda a sua diplomacia foi estruturada em torno do alinhamento à figura de Trump e a todos os atores apoiados por ele", acrescentou.
Uma 'bazuca' sob suspeita
Com um olhar crítico sobre a estratégia oficial, Tosi questionou a própria noção de "bazuca". Segundo ele ressaltou, a literatura econômica recomenda que as
autoridades evitem "o fenômeno da profecia autorrealizável, algo que, neste caso, o próprio governo está alimentando com seus anúncios de possíveis
turbulências financeiras no próximo ano", as quais exigiriam uma "bazuca".
O economista lembrou que, em menos de três semanas, os números oficiais sobre a capacidade de atender à
demanda por dólares — por parte de poupadores, empresas e para o pagamento de dívidas — sofreram alterações. "Quando o mercado começou a analisar os detalhes concretos da composição desse número,
surgiram elementos de eficácia duvidosa", observou.
"O investidor profissional ou institucional observa, como sempre, a taxa de rentabilidade esperada ajustada ao nível de risco", explicou Tosi. Como referência, citou o Equador, cujo risco-país também subiu nas últimas semanas, embora bem menos do que o da Argentina, que já se encontra acima dos 800 pontos-base.
Vázquez apontou que "Trump enfrentará um Congresso
muito mais hostil, que poderá, sem dificuldades, investigar cada movimentação financeira, como o apoio concedido a Milei no ano passado, o que
pode restringir a possibilidade de uma repetição no próximo ano".
Na mesma linha, o cientista político relacionou o resultado ao cenário regional. "As eleições recentes no continente foram desfavoráveis a Milei. As
derrotas de [Flávio] Bolsonaro e de Trump
deixam evidente a fragilidade de sua estratégia, que consistiu em apostar todas as fichas nesses dois líderes", afirmou.
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