A reportagem, publicada por um veículo de imprensa norte-americano, cita fontes familiarizadas com os planos, que ainda estão em fase preliminar.
A medida faz parte dos esforços da atual administração para oferecer garantias de segurança a longo prazo e convencer as
grandes empresas petrolíferas a
reinvestirem na indústria venezuelana, que enfrenta dificuldades.
Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com empresas petrolíferas para persuadi-las a investir no
setor energético da Venezuela. No entanto, o ceticismo do setor privado norte-americano ficou evidente. Darren Woods, CEO da ExxonMobil, afirmou que o
mercado venezuelano "não é atraente para investimentos" em seu estado atual.
De acordo com o especialista em relações internacionais Oswaldo Espinoza, a relutância das grandes empresas petrolíferas não é política, mas sim uma questão de
segurança operacional no terreno. As avaliações baseiam-se nos
riscos imediatos que o pessoal e a infraestrutura das empresas enfrentariam.
No entanto, essas projeções são afetadas por vieses, como os produzidos pelos alertas de viagem de Nível 4 do
Departamento de Estado, que, em 10 de janeiro, recomendaram que os cidadãos norte-americanos
deixassem o país devido ao risco de "terrorismo, sequestro, agitação civil e milícias armadas".
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, denunciou o alerta em um comunicado, argumentando que ele se baseava em "
narrativas fabricadas com o objetivo de criar uma percepção de risco inexistente". Ele
também afirmou que a Venezuela estava "em absoluta calma, paz e estabilidade".
Ainda assim, a narrativa está surtindo efeito. Em particular, como explica Espinoza em entrevista à Sputnik, o uso de
empresas militares privadas é justificado para criar um ambiente seguro a longo prazo que
possa convencer as empresas petrolíferas a reinvestir.
A lógica por trás dessas iniciativas, além de impulsionar um setor altamente lucrativo, é fornecer uma proteção de segurança direta e especializada para a infraestrutura e o pessoal das empresas, protegendo ativos avaliados em bilhões de dólares e, assim, transformando um país considerado "inviável para investimentos" em um destino viável para o capital norte-americano.
Do ponto de vista do direito internacional, Espinoza explica que os contratados privados são civis empregados por empresas e, portanto, protegidos pelo direito internacional humanitário.
Entre os potencialmente envolvidos pode estar Erik Prince, fundador da
controversa empresa Blackwater. Espinoza
contextualiza essa informação revisando o histórico documentado.
Mas o especialista enfatiza que a atuação de Prince não é coisa do passado. "Na América Latina, ele tem estado muito ativo nos últimos três anos", afirma. Ele menciona seu envolvimento no Haiti e no Equador, onde, segundo relatos, esteve
diretamente envolvido em operações policiais sob contrato com o governo do presidente Daniel Noboa, ostensivamente para
combater o narcoterrorismo.
Espinoza acrescenta que Prince também está em negociações com os governos de El Salvador e do Peru.
A abordagem de Washington para atrair
investimentos na Venezuela por meio da contratação de empresas de segurança privada tem uma lógica clara: terceirizar o destacamento de pessoal armado e treinado para
evitar o envio de tropas regulares e, assim, prevenir reações negativas da mídia e da política na região.
Segundo o analista, diante desse tipo de proposta, o Estado venezuelano deve responder exercendo sua autoridade exclusiva como único garantidor da segurança em seu território.
O marco legal é o ponto de partida essencial, e
qualquer ação deve ter a autorização e a supervisão direta e contínua do aparato institucional do país sul-americano.