Auxiliares da Presidência que falaram ao G1 avaliam que a política externa deve ganhar destaque na campanha eleitoral deste ano, impulsionada pela instabilidade geopolítica global. Para o Planalto, as viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suas conversas frequentes com líderes estrangeiros reforçaram a presença e a influência do Brasil no cenário internacional.
Segundo interlocutores do governo, a complexidade do momento mundial — marcado por tensões na Venezuela, na Faixa de Gaza, na Groenlândia e na Ucrânia — tende a colocar temas internacionais no centro do debate político. Lula tem citado esses assuntos com frequência em discursos recentes, reforçando sua atuação diplomática.
O ambiente global, marcado por conflitos regionais, disputas comerciais e incertezas sobre a reorganização da ordem internacional, levou o presidente a intensificar contatos com chefes de Estado. Apenas em janeiro, Lula realizou 14 telefonemas com líderes como o presidente russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping, o norte-americano Donald Trump e o francês Emmanuel Macron.
De acordo com o Planalto, esse volume de ligações é o maior registrado em um único mês nos últimos mandatos, sinalizando uma estratégia deliberada de ampliar a interlocução internacional. Fontes ouvidas pela GloboNews afirmam que essa agenda externa fortalece parcerias estratégicas e amplia o protagonismo brasileiro.
24 de dezembro 2025, 01:06
O governo também prepara um novo encontro presencial entre Lula e Donald Trump, previsto para março. A expectativa é discutir temas bilaterais prioritários, como o combate ao crime organizado, negociações sobre produtos brasileiros afetados pelo tarifaço e a situação política na América Latina.
A viagem de Lula ao Panamá, na última quarta-feira (28), integra essa agenda internacional ampliada. No país, ele participou do Fórum Econômico da América Latina e realizou reuniões com os presidentes da Bolívia e do Panamá, tratando de temas como o acordo Mercosul–União Europeia (UE), a proposta de um Conselho da Paz e a crise política na Venezuela. Lula também se encontrou com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
O governo brasileiro tem buscado defender o multilateralismo e reforçar o papel do país nos debates sobre paz, segurança e comércio global. Líderes europeus já apontaram o Brasil como ator relevante para a estabilidade na América Latina, reforçando a percepção de que o país pode exercer influência moderadora na região.
Mesmo diante das tensões provocadas pelo tarifaço anunciado por Trump, Lula tem mantido diálogo com o presidente norte‑americano, defendendo soberania nacional e respeito ao direito internacional sem adotar tom de confronto direto.