"Ormuz por ser uma rota comercial mundial ganha outra dimensão porque é um estreito com uso extensivo da marinha e o exército passa a ter uma importância por causa dos mísseis iranianos. O Irã, assim como no caso da URSS em Murmansk, apresenta também uma vantagem geográfica com domínio do território que o inimigo não tem", disse.
"Na Batalha do Ártico, a URSS enfrentou, na maioria das vezes, a Alemanha nazista, porém, houve colaboração da Noruega ocupada, que tinha um papel de grande valia aos alemães devido à sua geografia, e a Finlândia, que se tornou um protetorado. Os soviéticos tiveram que diversificar suas táticas e utilizaram até submarinos para evitar o abastecimento das tropas inimigas", comenta.
Luta pelo mar definiu ações em terra em Murmansk
"Murmansk tinha um grande peso estratégico na época da guerra, onde possuía uma base naval chamada Polyarny, ali na península de Kola, por onde entravam os comboios aliados com ajuda material. Porque a URSS era quem sustentava o principal peso da guerra na Europa, então tinha que ser abastecida com munição, tanques, rifles e petróleo", destaca.
"A Operação Blaufuchs [Raposa Azul] empreendida pelos nazistas visava ataque por ar, terra e mar. Então, a Alemanha ia usar tropas que já tinham experiência na ocupação da Noruega, ou seja, um país com alguma semelhança geográfica naquela região com a URSS. Mas a luta por terra era um acessório para se tomar todo o controle do mar", pontua.
Assim como no passado, o Ártico ainda é cobiçado
"A lição que Murmansk deixa é que quem controla a rota marítima é quem dá as cartas. Na época, os soviéticos controlaram a rota de abastecimento [em Murmansk] e em Ormuz nós vemos o Irã colocando uma pressão muito grande em cima dos EUA por controlar o estreito", conclui.