A iminente flexibilização das regras de exportação de armas do Japão despertou forte interesse entre aliados dos EUA, de Varsóvia a Manila, em um momento em que a hesitação do presidente norte-americano Donald Trump sobre compromissos de segurança e a guerra no Irã e o conflito na Ucrânia pressionam a capacidade de fornecimento militar de Washington.
O governo da primeira‑ministra Sanae Takaichi deve formalizar ainda neste mês as mudanças aprovadas pelo partido governista, em uma tentativa de revitalizar a indústria de defesa do país, segundo a Reuters.
Embora historicamente afastado do mercado global de armamentos desde a Segunda Guerra Mundial, o Japão mantém investimentos robustos — US$ 60 bilhões (mais de R$ 361,2 bilhões) neste ano — que sustentam uma indústria capaz de produzir sistemas avançados, como submarinos e caças. Essa capacidade agora atrai potenciais compradores, especialmente países que buscam modernizar suas forças diante de tensões regionais.
Entre os interessados estão Polônia e Filipinas, cujas forças armadas passam por processos de modernização. De acordo com a apuração, executivos da Toshiba e da Mitsubishi Electric afirmaram que estão contratando mais funcionários e ampliando a capacidade produtiva para atender à demanda crescente, revelando detalhes inéditos da preparação do setor privado japonês.
Um dos primeiros acordos que Takaichi deve aprovar envolve a venda de fragatas usadas às Filipinas, país em disputa marítima com a China no mar do Sul da China. Segundo autoridades japonesas, a operação pode abrir caminho para futuras exportações de sistemas antimísseis, ampliando o alcance da política de defesa de Tóquio.
Na Europa, diplomatas veem na mudança japonesa uma oportunidade para reduzir a dependência das armas dos EUA, cuja produção está pressionada por conflitos simultâneos. A imprevisibilidade de Trump, incluindo declarações sobre alianças e decisões controversas, reforça o impulso por diversificação, segundo diplomatas ouvidos pela mídia britânica sob condição de anonimato.
Empresas japonesas também se movimentam. A Mitsubishi Electric, por exemplo, tem reforçado equipes em Londres e Singapura para facilitar exportações, enquanto grupos europeus, como o polonês WB, já firmaram acordos preliminares com fabricantes japoneses, especialmente na área de drones.
O gabinete de Takaichi evitou comentar negociações específicas, remetendo a um discurso no qual a premiê afirmou que revisa os controles para fortalecer a produção de defesa do Japão e apoiar aliados.
A Casa Branca também não detalhou sua posição, embora tenha destacado a proximidade entre os governos de Trump e Takaichi.