Segundo a Reuters, a pressão sobre o primeiro‑ministro Keir Starmer para cumprir suas promessas de reforçar o orçamento de defesa aumentou com a crise no Oriente Médio.
De acordo com a apuração, a vulnerabilidade da Marinha britânica ficou evidente quando sua base no Chipre foi atingida por um drone e o Reino Unido levou três semanas para enviar um único navio de guerra ao Mediterrâneo Oriental, enquanto França, Grécia e Itália reagiram em poucos dias.
A demora britânica chamou atenção internacional, inclusive do presidente dos EUA, Donald Trump, que ironizou os porta‑aviões do Reino Unido, enquanto seu secretário de Guerra, Pete Hegseth, criticou a atual dimensão da Marinha Real. Starmer defendeu seu governo afirmando ter promovido o maior aumento sustentado de gastos militares desde a Guerra Fria, embora as forças armadas hoje tenham cerca de metade do tamanho que tinham naquele período.
A Marinha Real conta atualmente com 38 mil militares, dois porta‑aviões e 13 destróieres e fragatas — números muito inferiores aos de 1991.
Os atrasos no envio de navios ao Chipre reacenderam críticas sobre a disponibilidade da frota, especialmente diante da necessidade de aposentar fragatas antigas e da manutenção prolongada de destróieres. A comparação com a Guerra do Golfo, quando Londres enviou mais de 30 embarcações, evidencia o declínio.
O orçamento de defesa também encolheu ao longo das décadas: de 3,8% do produto interno bruto (PIB) no início dos anos 1990 para 2,3% em 2024. A retirada do último navio britânico baseado no Oriente Médio, em dezembro de 2025, deixou a região sem presença naval contínua pouco antes do início da guerra com o Irã.
A dissuasão nuclear continua sendo uma das prioridades orçamentárias, consumindo cerca de um quinto dos gastos militares. O sistema Trident, baseado em quatro submarinos da classe Vanguard, mantém patrulhas contínuas e será substituído pela classe Dreadnought na próxima década. Paralelamente, o país aguarda a entrada em serviço de 13 novas fragatas Tipo 26 e Tipo 31.
A Força Aérea Real também sofreu forte redução desde 1991: de cerca de 700 aeronaves de combate para pouco mais de 150 atualmente, com um efetivo de 31 mil pessoas. Antes da guerra com o Irã, o Reino Unido havia deslocado F‑35 e Typhoons para o Chipre e o Catar, mas não participa diretamente do conflito, limitando‑se a missões defensivas autorizadas por Starmer.
O Exército britânico segue a mesma tendência de encolhimento: hoje tem 74 mil militares em tempo integral, metade do contingente de 1991. A frota de tanques caiu de cerca de 1.200 unidades no fim da Guerra Fria para aproximadamente 150 operacionais.