- Sputnik Brasil, 1920
Panorama internacional
Notícias sobre eventos de todo o mundo. Siga informado sobre tudo o que se passa em diferentes regiões do planeta.

Queda de braço pela Groenlândia pode representar o fim da OTAN?

© AP Photo / Evgeniy MaloletkaCasas cobertas de neve na Groenlândia.
Casas cobertas de neve na Groenlândia. - Sputnik Brasil, 1920, 15.01.2026
Nos siga no
Especiais
Os Estados Unidos vêm esticando a corda com ameaças para tentar tomar controle da Groenlândia. A Dinamarca, por sua vez, resiste aos discursos e não cede às investidas norte-americanas. O pano-de-fundo desse incidente pode ser o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nos moldes que conhecemos?
Conquistar territórios que lhes parecem interessantes não é novidade para os Estados Unidos, pelo contrário, "faz parte do projeto estadunidense desde o começo", diz Thiago Rodrigues, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil.
Os métodos para conseguir seus objetivos, que, segundo o especialista, estão ligados aos interesses do capital norte-americano, é que variam ao longo do tempo. Já foram por guerras, apoios a golpes militares, a impeachments e manifestações populares, também chamadas de revolução colorida nas primeiras décadas do século XXI.
Na esteira dos interesses dos EUA, Rodrigues ressalta que a Groenlândia e o Ártico em geral não são uma novidade. Ainda no século XIX, o Alasca foi comprado do então Império russo. Embora já tenha a base espacial de Pituffik na ilha ártica, os interesses no território groenlandês alegados pelo governo de Donald Trump vão na mão de questões energéticas, como o caso do petróleo e minerais raros, além da questão da navegação, que impactaria também na política externa de China e Rússia.
© Jim WatsonBase Espacial Pituffik
Base Espacial Pituffik  - Sputnik Brasil, 1920, 14.01.2026
Base Espacial Pituffik
Recentemente a Casa Branca declarou que a Groenlândia é uma extensão do perímetro de defesa norte-americano, "o que nada mais é do que uma forma de conter a influência sino-russa naquela região", diz Letícia da Luz, mestranda em Estudos Marítimos pela Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN).
"O objetivo, basicamente, é evitar essa aproximação tanto da China quanto da Rússia, usando iniciativas como a Rota da Seda Polar, por exemplo, que se consolidem em águas que os Estados Unidos consideram hoje parte do seu domínio natural", acrescenta.
O derretimento do gelo ártico, que amplia as rotas marítimas no entorno, também afeta a questão dos recursos naturais, "o que coloca a Groenlândia no centro de futuros corredores de comércio e disputas geopolíticas", ressalta Luz.
© AP Photo / Evgeniy MaloletkaBarco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia.
Barco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia. - Sputnik Brasil, 1920, 14.01.2026
Barco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia.
"O Ártico deixa de ser, na percepção americana, uma zona de baixa tensão e ela se torna o principal teatro, digamos assim, dessa competição entre as potências", avalia a analista.

Tensões sobre a mesa: qual será o futuro da Groenlândia e da OTAN?

Na terça-feira (13), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, descreveu a pressão de Washington para controlar a Groenlândia como "inaceitável" e alertou que a situação pode piorar.
Trump, por sua vez, chegou a dizer na semana passada que os EUA controlarão a Groenlândia "de um jeito ou de outro". Ontem (14), no Truth Social, o presidente escreveu que seu país precisa da ilha por uma questão de defesa nacional.
"A Groenlândia é necessária aos Estados Unidos por motivos de segurança nacional. É vital para a Cúpula Dourada que estamos construindo", publicou Trump na rede social.
Na madrugada desta quinta-feira (15), horas após uma cúpula infrutífera em Washington dedicada à questão da Groenlândia, dois aviões dinamarqueses chegaram à ilha com soldados de forças especiais e de inteligência europeias, aumentando as tensões entre países que fazem parte de uma mesma aliança militar, a OTAN.
Para Luz, além da Dinamarca, há uma tensão principamente entre aliados como França e Alemanha, que veem a postura dos EUA "como uma ameaça à soberania europeia".
Avião da Greeland Air pousa em aeroporto da capital Nuuk com prédios ao fundo. Groenlândia, 12 de março de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 23.04.2025
Panorama internacional
Terras raras e localização estratégica: ameaças de Trump vão acelerar independência da Groenlândia?
Sobre o futuro da OTAN, Rodrigues ressalta que há um desgaste de Trump com o bloco desde o primeiro mandato do republicano, que entende que os Estados Unidos financiam sozinhos a instituição.
Para o professor da UFF, o presidente norte-americano conta com um grupo articulado que trabalha nos bastidores, "dispostos a fazer movimentações muito consistentes", enquanto o chefe da Casa Branca retém a atenção midiática. No contexto dessa política, segundo Rodrigues, estaria "uma renegociação geral do pacto com a Europa".
De forma geral, o especialista avalia que Trump vai usando as ameaças e tentando estressar a situação com a Europa para obter melhores condições de negociação. "É como se fosse, assim, aquele cara que quer comprar o seu imóvel, mas ele primeiro acha todos os defeitos possíveis no imóvel, diz que vai comprar o do vizinho e vai infernizar sua vida. Ele faz um monte de coisa para você baixar muito o preço", exemplifica. Se a OTAN vai acabar ou não a partir dessa fricção "é uma outra coisa", completou.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала