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Apoio de Javier Milei a Flávio Bolsonaro com sua visita ao Brasil 'é arriscado', alerta analista
Apoio de Javier Milei a Flávio Bolsonaro com sua visita ao Brasil 'é arriscado', alerta analista
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Milei vai visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e apoiar a candidatura de Flávio, no Brasil, em uma viagem que também inclui... 14.07.2026, Sputnik Brasil
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O presidente argentino Javier Milei está intensificando a construção de alianças ideológicas em nível regional: ele apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Brasil, comparecerá às posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia e se reunirá com Daniel Noboa no Equador para avançar nos acordos bilaterais pendentes entre os dois países.A parada mais significativa será no Brasil, em 25 de julho. Milei visitará São Paulo para a proclamação do filho de Bolsonaro como candidato à presidência — que terá como principal adversário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e, em seguida, viajará para Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que está em prisão domiciliar humanitária (em razão de problemas de saúde) após ser condenado a 27 anos de prisão por seu papel na tentativa de golpe que se seguiu à sua derrota eleitoral em 2022.A visita ocorre em um momento crucial de sua situação jurídica. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, prorrogou indefinidamente sua prisão domiciliar por razões humanitárias uma semana antes de Milei confirmar a viagem.O anúncio gerou uma reação imediata do governo brasileiro. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma crítica direta nas redes sociais: "Ótima notícia! Javier Milei anunciou que virá ao Brasil para participar da campanha de Flávio Bolsonaro. Ele é o presidente mais impopular da América Latina. O que ele pensa que tem para ensinar ao povo brasileiro?"A medida acarreta um custo diplomático potencialmente alto. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a coordenação bilateral é fundamental para setores como o automotivo e o energético. Uma possível mudança de governo em Brasília alteraria o cenário do Mercosul, mas, até lá, a relação com Lula acumula tensões sem um canal institucional ativo entre os dois presidentes.A agenda continua em 28 de julho, quando Milei viaja a Lima para a posse de Keiko Fujimori como presidente do Peru. Após sua vitória no segundo turno, confirmada no dia 3 de julho, o argentino foi um dos primeiros chefes de Estado a parabenizá-la e conversou com ela no mesmo dia para anunciar uma "nova etapa" nas relações entre os dois países.A próxima parada será o Equador, onde Milei se reunirá com o presidente Daniel Noboa para avançar nos acordos de cooperação em comércio, segurança e investimento que estão pendentes desde a visita de Noboa a Buenos Aires em agosto de 2015. Em seguida, em 7 de agosto, ele chegará a Bogotá para a posse de Abelardo de la Espriella, após sua vitória nas eleições colombianas.Uma jogada arriscada?"É evidente que Milei decidiu se aproximar e conviver com essas forças conservadoras", disse Oscar Laborde, analista internacional e diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IDEAL), à Sputnik. "Participar de uma campanha eleitoral enquanto se é presidente de outro país é arriscado. Além disso, o líder desse outro país é seu adversário", alertou.Laborde questionou a ideia de qualquer coordenação real entre governos com ideologias semelhantes. "Não há qualquer ideia de coordenação entre si; em vez disso, todos se coordenam radialmente com os Estados Unidos", argumentou. A esse respeito, acrescentou: "Não vejo essa harmonização acontecendo na América Latina, nem vejo uma agenda compartilhada além da afinidade com Washington".Para Laborde, o que prevalece é a insatisfação dos cidadãos com os governos, independentemente de suas inclinações políticas. "A constante é que existe insatisfação pública com os governos, e é isso que leva as pessoas a votarem na oposição", afirmou.Consultado por esta publicação, o analista internacional Juan Venturino considerou que o roteiro responde a uma estratégia de posicionamento. "Dessa forma, Milei emerge como o principal expoente desse espaço político: ele era um político desconhecido antes de se tornar presidente, vence a eleição, e isso o transforma em um caso de sucesso e uma surpresa para o mundo", enfatizou.Brasil, o voto que define a regiãoLaborde ofereceu uma perspectiva de longo prazo sobre o ciclo político. "Entre 2019 e 2023, houve uma onda progressista: venceu no México, Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Peru. No entanto, não foi irreversível", observou. "Agora há vitórias da direita, mas não acho que este seja um ciclo definitivo", alertou.Para o especialista, o que caracteriza a região é a alternância constante. "A característica definidora desta etapa é a luta, não a hegemonia de um único grupo político. O vencedor perde e o perdedor vence", afirmou. "Isso tem sido uma constante na política latino-americana há mais de uma década", enfatizou.Venturino concordou que o resultado em Brasília será decisivo. "O Brasil tem uma perspectiva muito particular: disse aos Estados Unidos que tinha uma agenda diferente, que estava comprometido com o BRICS e que não iria recuar. Foi o Brasil que disse 'não' a Washington quando este tentou impor sua agenda à região", observou.Segundo o especialista, as plataformas digitais serão fundamentais na disputa. "Com muito dinheiro investido em mídias sociais, elas influenciaram pelo menos uma parcela do eleitorado, e são esses eleitores que, no fim das contas, ganham uma eleição. Já vimos isso em outras eleições na região", alertou.
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Apoio de Javier Milei a Flávio Bolsonaro com sua visita ao Brasil 'é arriscado', alerta analista
Milei vai visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e apoiar a candidatura de Flávio, no Brasil, em uma viagem que também inclui as posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia. "Participar de campanha sendo presidente de outro país é arriscado", disse um especialista à Sputnik.
O
presidente argentino Javier Milei está
intensificando a construção de alianças ideológicas em nível regional: ele apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Brasil, comparecerá às posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia e se reunirá com Daniel Noboa no Equador para avançar nos acordos bilaterais pendentes entre os dois países.
A parada
mais significativa será no Brasil, em 25 de julho. Milei visitará São Paulo para a proclamação do filho de Bolsonaro como candidato à presidência — que terá como principal adversário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e, em seguida,
viajará para Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que está em prisão domiciliar humanitária (em razão de problemas de saúde) após ser condenado a 27 anos de prisão por seu papel na tentativa de golpe que se seguiu à sua
derrota eleitoral em 2022.
A
visita ocorre em um momento crucial de sua situação jurídica. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes,
prorrogou indefinidamente sua prisão domiciliar por razões humanitárias uma semana antes de Milei confirmar a viagem.
Flávio Bolsonaro disputará as eleições de 4 de outubro em um cenário político altamente polarizado. As pesquisas mais recentes mostram uma ascensão do líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem uma vantagem de cinco a dez pontos percentuais em um possível segundo turno. Nesse contexto, o presidente argentino busca demonstrar apoio ao candidato ao Palácio do Planalto.
O anúncio gerou uma reação imediata do
governo brasileiro. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma crítica direta nas redes sociais: "Ótima notícia! Javier Milei anunciou que virá ao Brasil para
participar da campanha de Flávio Bolsonaro. Ele é o
presidente mais impopular da América Latina. O que ele pensa que tem para ensinar ao povo brasileiro?"
A medida acarreta um custo diplomático potencialmente alto. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a coordenação bilateral é fundamental para setores como o automotivo e o energético. Uma
possível mudança de governo em Brasília
alteraria o cenário do Mercosul, mas, até lá, a relação com Lula acumula tensões sem um canal institucional ativo entre os dois presidentes.
A ligação de Milei com os Bolsonaro vai além do calendário eleitoral. Em junho, o presidente argentino faltou à cúpula do Mercosul para evitar um confronto com Lula da Silva, poucas horas depois de receber Flávio Bolsonaro na residência presidencial Quinta de Olivos. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina minimizou a visita à prisão, lembrando que Alberto Fernández (2019-2023) visitou Lula quando Bolsonaro era presidente do Brasil.
A agenda continua em 28 de julho, quando Milei viaja a Lima para a posse de Keiko Fujimori como presidente do Peru. Após sua vitória no segundo turno,
confirmada no dia 3 de julho, o
argentino foi um dos primeiros chefes de Estado a parabenizá-la e conversou com ela no mesmo dia para anunciar uma "nova etapa" nas relações entre os dois países.
A próxima parada será o Equador, onde Milei se reunirá com o presidente Daniel Noboa para avançar nos
acordos de cooperação em comércio, segurança e investimento que estão pendentes desde a visita de Noboa a Buenos Aires em agosto de 2015. Em seguida, em 7 de agosto, ele
chegará a Bogotá para a posse de Abelardo de la Espriella, após sua vitória nas eleições colombianas.
O renovado ativismo regional de Milei é uma resposta a um contexto favorável. Nos últimos meses, os candidatos que ele apoiou publicamente venceram as eleições no Chile, Bolívia, Peru e Colômbia. Pessoas próximas a ele acreditam que esse ciclo eleitoral pode se estender ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vença em outubro, completando uma coalizão de aliados que incluiria os quatro maiores países da América do Sul, além do Equador.
"É evidente que Milei decidiu se aproximar e conviver com essas forças conservadoras", disse Oscar Laborde, analista internacional e diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IDEAL), à Sputnik. "
Participar de uma campanha eleitoral enquanto se é presidente de outro país é arriscado. Além disso, o
líder desse outro país é seu adversário", alertou.
Laborde questionou a ideia de qualquer coordenação real entre governos com ideologias semelhantes. "
Não há qualquer ideia de coordenação entre si; em vez disso, todos se coordenam radialmente com os Estados Unidos", argumentou. A esse respeito, acrescentou: "
Não vejo essa harmonização acontecendo na América Latina, nem vejo uma agenda compartilhada além da afinidade com Washington".
Para Laborde, o que prevalece é a insatisfação dos cidadãos com os governos, independentemente de suas
inclinações políticas. "
A constante é que existe insatisfação pública com os governos, e é isso que leva as pessoas a votarem na oposição", afirmou.
"Nas últimas dez eleições, a direita venceu oito. Mas, em ambos os casos, a oposição venceu por uma grande margem: não foi o progressismo ou a direita que venceu, mas sim o partido que não estava no poder", destacou. "Houve sucessos para a direita, mas eles são mais atribuíveis à vitória da oposição do que a uma afinidade ideológica comum", esclareceu.
Consultado por esta publicação, o analista internacional Juan Venturino considerou que o roteiro responde a uma estratégia de posicionamento. "Dessa forma,
Milei emerge como o principal expoente desse espaço político: ele era um político desconhecido antes de se tornar presidente, vence a eleição, e
isso o transforma em um caso de sucesso e uma surpresa para o mundo", enfatizou.
Venturino alertou que esse papel tem limites. "A forma como a ideologia libertária é apresentada é muito maniqueísta, a ponto de ter gerado reclamações de diversas embaixadas por não simpatizar com certas ideias políticas", lembrou.
Brasil, o voto que define a região
Laborde ofereceu uma perspectiva de longo prazo sobre o ciclo político. "Entre 2019 e 2023,
houve uma onda progressista: venceu no México, Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Peru. No entanto, não foi irreversível", observou. "
Agora há vitórias da direita, mas não acho que este seja um ciclo definitivo", alertou.
Para o especialista, o que caracteriza a região é a alternância constante. "A característica definidora desta etapa é a luta, não a hegemonia de um único grupo político. O vencedor perde e o perdedor vence", afirmou. "Isso tem sido uma constante na política latino-americana há mais de uma década", enfatizou.
O especialista apontou que o fator determinante em cada eleição é a rejeição ao governo vigente. "Quem vence é de direita, mas eram da oposição. Quem venceu antes era progressista, mas também estava na oposição. O que prevalece é a insatisfação", observou. "Isso tem sido uma constante na política latino-americana nos últimos anos", acrescentou.
Venturino concordou que o resultado em Brasília será decisivo. "O Brasil tem uma perspectiva muito particular: disse aos Estados Unidos que tinha uma agenda diferente, que estava
comprometido com o BRICS e que não iria recuar.
Foi o Brasil que disse 'não' a Washington quando este tentou impor sua agenda à região", observou.
Segundo o especialista, as plataformas digitais serão fundamentais na disputa. "Com muito dinheiro investido em mídias sociais, elas influenciaram pelo menos uma
parcela do eleitorado, e são esses eleitores que, no fim das contas, ganham uma eleição. J
á vimos isso em outras eleições na região", alertou.
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