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Mauro Vieira chega à 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Deli

© Maxim ShemetovO ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a Cúpula do BRICS em Kazan, na Rússia, em 23 de outubro de 2024
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a Cúpula do BRICS em Kazan, na Rússia, em 23 de outubro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 10.09.2026
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Chanceler brasileiro participará de reuniões nos dias 12 e 13 de setembro, em cúpula que terá a presença de Xi Jinping, Vladimir Putin e outros líderes.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, chegou a Nova Deli, na Índia, para representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 18ª Cúpula de Líderes do BRICS, marcada para os dias 12 e 13 de setembro. A reunião encerrará a presidência indiana do agrupamento.
Ao chegar à capital indiana, Vieira foi recebido pela chancelaria do país. "A Índia e o Brasil compartilham uma amizade de longa data e um forte compromisso em promover a cooperação em todo o Sul Global", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Índia.
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Durante a cúpula, o chanceler brasileiro participará de duas sessões de trabalho. No dia 12, em reunião restrita aos países-membros, os líderes discutirão "Governança Global Inclusiva e Fortalecimento do Multilateralismo". No dia 13, a sessão ampliada reunirá os países-membros, os dez países parceiros e 16 países convidados sob o tema "Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade: Moldando o Futuro para um Crescimento Global Inclusivo".
A cúpula ocorre em meio a conflitos armados, à crise do multilateralismo e a desequilíbrios na economia e na estrutura de governança internacional. Nesse cenário, o BRICS busca ampliar a articulação entre países em desenvolvimento e defender maior participação do Sul Global nas decisões internacionais.
A reunião também contará com a presença do presidente chinês, Xi Jinping, que fará sua primeira visita à Índia em quase sete anos. O presidente russo, Vladimir Putin, também viajará a Nova Deli e terá encontros bilaterais com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, além de reuniões com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, e com a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Dilma Rousseff.
A participação de Xi ocorre em um momento de reaproximação entre China e Índia, após anos de tensões, especialmente devido a disputas territoriais na fronteira. Em agosto de 2025, Modi visitou a China pela primeira vez desde 2018 e afirmou que os dois países eram "parceiros, não adversários".
Em 25 de agosto, o chanceler chinês, Wang Yi, e o assessor de Segurança Nacional da Índia, Ajit Doval, chegaram a oito pontos de consenso em uma nova rodada de negociações sobre a questão fronteiriça. Entre as medidas estão a criação de grupos de trabalho sobre delimitação e gestão da fronteira e a introdução de canais de comunicação entre os comandos militares dos países.
A presença de Putin também marca um momento simbólico para o grupo. Será a primeira participação presencial do presidente russo em uma cúpula do BRICS fora da Rússia desde 2019, quando o encontro foi realizado no Brasil. Putin não participou presencialmente das cúpulas de 2023, na África do Sul, e de 2025, no Brasil.
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Outro tema que deverá pressionar as negociações é a guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O Irã ingressou no BRICS em 2024, enquanto os Emirados Árabes Unidos, também do grupo, adotaram medidas contra Teerã após ataques iranianos durante o conflito.
As divergências entre os dois países podem dificultar a elaboração de uma declaração conjunta sobre o Oriente Médio. Em maio, os ministros das Relações Exteriores do BRICS não conseguiram emitir um comunicado conjunto, após uma reunião em Nova Deli, devido a divergências entre as duas partes.
Apesar das dificuldades, a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que reúne países com posições distintas sobre o conflito, conseguiu recentemente chegar a uma declaração conjunta condenando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O resultado aumentou as expectativas de que o BRICS também consiga encontrar uma formulação consensual.
A cúpula ocorre ainda em meio às tensões comerciais provocadas pelas tarifas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O aumento do protecionismo norte-americano é apontado como um dos fatores que podem estimular a coordenação entre os integrantes do BRICS e outros países do Sul Global.
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