É o caso da Rússia,
aliada histórica de Cuba, que denunciou como essas
ações de forças externas buscam exacerbar a crise energética na nação caribenha, com o objetivo, entre outros, de gerar descontentamento na população e desconforto entre cidadãos estrangeiros.
O professor Yosmany Fernández Pacheco, do Instituto Superior de Relações Internacionais Raúl Roa García (ISRI), declarou à Sputnik que o fortalecimento e o aprofundamento das relações entre Moscou e Havana
estão se tornando cada vez mais evidentes: "É um laço que
resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias".
O acadêmico observou que, dada a difícil situação atual sob as
novas sanções e a ofensiva de Washington, a Rússia "
demonstrou seu apoio à ilha e condenou essas medidas".
Paralelamente, uma coalizão internacional de movimentos sociais, sindicatos e organizações humanitárias anunciou recentemente o
lançamento de uma missão marítima, chamada Nossa América, para entregar alimentos, medicamentos e
suprimentos necessários no contexto atual a Cuba.
Durante um pronunciamento à nação, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que "
Cuba não está sozinha", aludindo aos governos e entidades estrangeiras que
manifestaram interesse em ajudar a ilha caribenha.
No dia 12 de fevereiro, dois navios mexicanos chegaram a Havana carregando ajuda humanitária,
composta por 814 toneladas de alimentos e outros suprimentos. Segundo o Ministério do Comércio Interno de Cuba, a ajuda será
distribuída à população da capital e das províncias de Artemisa, Mayabeque e do município especial de Isla de la Juventud.
De acordo com o professor universitário Fabio Fernández, a ajuda enviada pela nação latino-americana, em um contexto difícil para a ilha, "reflete a vontade soberana daquele país de manter seus laços de cooperação, não tanto com o governo, mas com o próprio povo cubano, diante de uma crise humanitária".
Contudo, ele observou que os laços entre o México e Cuba são muito importantes, visto que "uma
convergência cultural se desenvolveu entre essas duas áreas geográficas desde os tempos coloniais, que posteriormente deu lugar a uma
relação estatal marcada por harmonia e proximidade, mesmo dentro da estrutura de diferenças ideológicas e políticas".
Ele acrescentou que existe uma relação cordial entre os governos dos dois países praticamente desde a década de 1970; apesar das diferenças, "chegamos a um ponto em que o México se tornou um importante apoio para a ilha, especialmente no fornecimento de petróleo, um tema candente agora em relação à continuidade desse fornecimento".
Por sua vez, o
presidente chileno, Gabriel Boric, defendeu a entrega de ajuda humanitária a Havana — que está prevista para ser canalizada através do Fundo Chileno de Combate à Fome e à Pobreza — e descreveu o bloqueio dos EUA como criminoso, desumano e um ataque aos direitos humanos da população.
Além disso, trabalhadores do setor petrolífero e movimentos sociais no Brasil estão
promovendo uma campanha chamada "Petróleo para Cuba", que visa pressionar o
governo brasileiro e a Petrobras a enviarem hidrocarbonetos para Cuba.
Segundo o pesquisador do Centro de Pesquisa de Política Internacional (CIPI) Eduardo Regalado Florido, a decisão do presidente chinês Xi Jinping de aprovar
novas rodadas de ajuda emergencial em 2026, em um contexto de intensificação das sanções dos EUA contra Cuba,
reafirma a autonomia de sua política externa e seu compromisso com o multilateralismo.
Em conversa com este veículo de comunicação, o especialista valorizou o fato de que essa ação projeta o gigante asiático não apenas como uma potência econômica, mas como um contrapeso geopolítico que desafia a eficácia de medidas coercitivas unilaterais.
A este respeito, ele salientou que, ao apoiar a viabilidade econômica de Cuba, Pequim "envia um
sinal claro sobre sua
disposição de proteger seus parceiros estratégicos no Caribe, consolidando uma esfera de influência baseada na cooperação e no respeito à soberania, em contraste com as políticas de pressão diplomática de Washington".
Segundo o acadêmico, em nível regional, o apoio a Cuba faz parte da Iniciativa de Segurança Global e da Iniciativa de Desenvolvimento Global, onde o gigante asiático se posiciona como
líder do Sul Global, defensor do direito das nações de
escolherem seu próprio sistema político.
Ele mencionou que a narrativa de um
futuro compartilhado entre a ilha e a China tem exemplos concretos, como a criação de empresas conjuntas de biotecnologia, a modernização da infraestrutura de telecomunicações e o estabelecimento de protocolos compartilhados de segurança cibernética —
compromissos protegidos por acordos intergovernamentais de longo prazo.
Em sua opinião, a cooperação com o gigante asiático funciona como um mecanismo direto de mitigação dos efeitos do
bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos e sua intensificação nas últimas semanas, ao facilitar o acesso a recursos indisponíveis em outros mercados.
"Diante da impossibilidade de utilizar o sistema financeiro internacional convencional, Cuba encontra nos empréstimos e doações emergenciais do governo chinês uma forma de importar tecnologia médica, equipamentos de transporte e componentes industriais essenciais", acrescentou o especialista, que também possui mestrado em Economia Internacional.
Ele destacou o apoio diplomático de Pequim nas Nações Unidas (ONU) na
exigência do fim dessa política, complementado por iniciativas concretas que rompem o
bloqueio econômico e permitem que Cuba mantenha suas operações básicas apesar das pressões externas — "apoio vital para impedir a inclusão do país na lista de 'Estados patrocinadores do terrorismo'".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a situação humanitária da ilha, que, em sua opinião, se agravará ou entrará em colapso se suas necessidades de petróleo não forem atendidas, e enfatizou a
importância da continuidade do diálogo e do
respeito ao direito internacional.